Pascal: "Les hommes sont si nécessairement fous que ce serait être fou par un autre tour de folie de n’être pas fou’. (...) Il faut faire l’histoire de cet autre tour de folie, de cet autre tour par lequel les hommes, dans le geste de raison souveraine qui enferme leur voisin, communiquent et se reconnaissent à travers le langage sans merci de la nonfolie...”
domingo, 15 de janeiro de 2012
Ode aos ratos
Chegam a cada 12 anos
"Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba"
E em mim se instaura
"Tenaz roedor
De toda esperança
Estuprador da ilusão"
Percebo
"Rato ruim
Rato que rói a rosa
Rói o riso da moça
E ruma rua arriba
Em sua rota de rato"
Esmago no meu samba
Com fantasia de rata.
Só.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Entre a dignidade e a honra
Ando pensando muito nessa tal de dignidade... E que ela está muito imbricada em "honra"
O que seria cada termo? Dá para se colocar tudo num saco de gatos e achar que é a mesma coisa.
O que seria cada termo? Dá para se colocar tudo num saco de gatos e achar que é a mesma coisa.
Entretanto, encontrei uma frase perdida anotada, tirada não sei de onde: "manter a dignidade para conservar a integridade".
O que seria essa "integridade"?
O mínimo necessário e essencial para nos fazer sentir humanos.
E isto, é particular de cada um. Não dá para se generalizar. E nem para racionalizar.
A honra, entendo como nossas ações reconhecidas como dignas, ou decentes, ou certas, ou corajosas. Enfim, carregam um valor moral cultural. Ou seja, depende do reconhecimento. Depende do que o meio sócio-cultural define como "honrado". Está na esfera do universal.
Mas a dignidade... é necessária para manter a integridade como indivíduo, sujeito, ser humano que somos. Está na esfera do particular.
Algumas vezes, o que é considerado "honrado" fere nossa integridade. Interfere na dignidade.
Por exemplo, uma garota de 11 anos voltada para o esporte, com treinos pesados de natação, 3 horas diárias, competições nos fins de semana, uma disciplina kantiana... Admirada sócio-culturalmente. Mas sem tempo para fazer um nadinha. Por vezes, desistir é digno. Pode até ser visto como "desonra", um fracasso. Mas estava interferindo na integridade, e a vida é uma só!
Por enquanto é só. Preciso enfrentar outro trânsito para retomar melhor o assunto ;)
A honra, entendo como nossas ações reconhecidas como dignas, ou decentes, ou certas, ou corajosas. Enfim, carregam um valor moral cultural. Ou seja, depende do reconhecimento. Depende do que o meio sócio-cultural define como "honrado". Está na esfera do universal.
Mas a dignidade... é necessária para manter a integridade como indivíduo, sujeito, ser humano que somos. Está na esfera do particular.
Algumas vezes, o que é considerado "honrado" fere nossa integridade. Interfere na dignidade.
Por exemplo, uma garota de 11 anos voltada para o esporte, com treinos pesados de natação, 3 horas diárias, competições nos fins de semana, uma disciplina kantiana... Admirada sócio-culturalmente. Mas sem tempo para fazer um nadinha. Por vezes, desistir é digno. Pode até ser visto como "desonra", um fracasso. Mas estava interferindo na integridade, e a vida é uma só!
Por enquanto é só. Preciso enfrentar outro trânsito para retomar melhor o assunto ;)
sábado, 7 de janeiro de 2012
Colher de chá para meninas
Filhos: re-reflexão
Algumas propostas indecentes andam perturbando meus conceitos...
De novo, a conversa sobre filhos. A primeira foi em http://autretourdelafolie.blogspot.com/2011/05/dia-das-maes.html
Uma paciente, beeeem maltratada pela mãe, disse que seu maior desejo era ter filhos para vivenciar o outro lado. O que ela sentiria como mãe. Tinha vontade de tratar os filhos como não foi tratada. Pegou o primeiro bofe pela frente, teve os filhos aos trancos, barracos e sopapos. Foi tãaaaao maltratada como "esposa" que colocou os filhos debaixo dos braços e saiu de casa. Hoje? Nunca esteve tão feliz e realizada. Está apaixonada por uma mulher que, enfim, a trata com dignidade (fico em dúvida sobre o que seria essa tal de dignidade...)
Talvez pelo que tenho visto ultimamente, vejo ainda outra possibilidade. A relação entre mãe e filhos ou pai e filhos não tem NADA a ver com a relação entre o pai e a mãe. Quem foi mesmo o INFELIZ que teve essa idéia de família unida, pai mãe e filhos... Engels fala o diabo sobre ela em "A orígem da família, da propriedade privada e do estado"
O amor que une o casal, aquele que dá um desejo louco de ter um filho para materializá-lo e perpetuá-lo... é demais traiçoeiro. Vai embora. Foge e se dissipa no ar, e a gente nem percebe em que ponto se perdeu. Fica a "matéria"- o filho. Aí, o pai e a mãe precisam ter uma decência e dignidade (de novo, o que seria mesmo essa tal?) para separar as coisas e manter o amor-m/paterno que está perdido no meio deste término. Seria portanto um motivo legítimo? Um motivo volátil, poderia legitimar um resultado que permanece?
Nos dias de hoje, talvez, o motivo mais ético fosse somente o desejo deliberado de se ter um filho. Aí sim, quem fez esta escolha se responsabilizaria por ela e legitimaria o resultado. O "problema" é que são necessários pai e mãe (procuro me manter aberta aos novos tempos, mas FIV - fertilização in vitro - sem pai ou mãe é demais... todos têm direito a ter "modelo" de pai E mãe!).
Que tal... um filho entre amigos?
Sabe que, cada vez mais acredito que o laço relacional mais forte que existe é a amizade-philia. É generosa. Não exige troca. Não é possessiva. É livre e companheira.
Ter filhos é ótimo, e isso para mim é fato.
... Sabe que eu toparia?
De novo, a conversa sobre filhos. A primeira foi em http://autretourdelafolie.blogspot.com/2011/05/dia-das-maes.html
Uma paciente, beeeem maltratada pela mãe, disse que seu maior desejo era ter filhos para vivenciar o outro lado. O que ela sentiria como mãe. Tinha vontade de tratar os filhos como não foi tratada. Pegou o primeiro bofe pela frente, teve os filhos aos trancos, barracos e sopapos. Foi tãaaaao maltratada como "esposa" que colocou os filhos debaixo dos braços e saiu de casa. Hoje? Nunca esteve tão feliz e realizada. Está apaixonada por uma mulher que, enfim, a trata com dignidade (fico em dúvida sobre o que seria essa tal de dignidade...)
Talvez pelo que tenho visto ultimamente, vejo ainda outra possibilidade. A relação entre mãe e filhos ou pai e filhos não tem NADA a ver com a relação entre o pai e a mãe. Quem foi mesmo o INFELIZ que teve essa idéia de família unida, pai mãe e filhos... Engels fala o diabo sobre ela em "A orígem da família, da propriedade privada e do estado"
O amor que une o casal, aquele que dá um desejo louco de ter um filho para materializá-lo e perpetuá-lo... é demais traiçoeiro. Vai embora. Foge e se dissipa no ar, e a gente nem percebe em que ponto se perdeu. Fica a "matéria"- o filho. Aí, o pai e a mãe precisam ter uma decência e dignidade (de novo, o que seria mesmo essa tal?) para separar as coisas e manter o amor-m/paterno que está perdido no meio deste término. Seria portanto um motivo legítimo? Um motivo volátil, poderia legitimar um resultado que permanece?
Nos dias de hoje, talvez, o motivo mais ético fosse somente o desejo deliberado de se ter um filho. Aí sim, quem fez esta escolha se responsabilizaria por ela e legitimaria o resultado. O "problema" é que são necessários pai e mãe (procuro me manter aberta aos novos tempos, mas FIV - fertilização in vitro - sem pai ou mãe é demais... todos têm direito a ter "modelo" de pai E mãe!).
Que tal... um filho entre amigos?
Sabe que, cada vez mais acredito que o laço relacional mais forte que existe é a amizade-philia. É generosa. Não exige troca. Não é possessiva. É livre e companheira.
Ter filhos é ótimo, e isso para mim é fato.
... Sabe que eu toparia?
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
... . .. . ... . ....
Sabe que cansei?
Como o movimento das ondas
Vai...
volta...
vai...
volta...
Quanto mais longe alcanço
menos avanço
i n f i n i t a m e n t e
uma dor crônica
em salvas
Inspiro, mas
só insuflo o pneumo-
-tórax ondulante
e dispneico
Cansei ...
cansei .
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
"Sonho-Sincronia"
Sabe aquele ser redondo de duas cabeças, quatro braços e quatro pernas? Aquele andrógino do Aristófanes? Do Banquete, do Platão...
http://autretourdelafolie.blogspot.com/2011/10/romantica.html
Esse mesmo!
Lembra em como ele era poderoso?
Cheio de energia, mais rápido e mais criativo que qualquer ser normal... Desafiou até os Deuses. E por eles foram separados. Ela, sob o olhar dEle, foi enfeitiçada pela lua. Abriu a janela e flutuou em sua direção. Ele, no fundo sabia, afinal foi com os olhos dEle que Ela saltou - lembra? Mas duvidava...
E ficou...
Trabalhava muito
não conseguia mais criar
Perambulava pelos 4 cantos
encontrava-nA nos braços de Maria B
nos beijos de Maria A
nas palavras de Maria C
nos gemidos de Maria X
toda espalhadinha, mas a música... ainda estava láaaaa longe, baixinha, surda.
Um dia, ao passar pela sala de aula da 8a série, de repente num som vivo e claro
Aquela folia de adolescentes, último dia de aula, todos assinando camisetas da escola, e Ele arrepia. Encontra-se nos olhos lunares dAquela menina...
"Prazer, F."
assina a camiseta. Ela levanta os olhos, Ele evaporou.
Passa o tempo...
Muuuito tempo
Ela, já cheia de títulos e lattes em ascensão, passos apressados para ministrar a próxima aula, passa pela sala da defesa de tese e escuta aquela voz...
Encantada, flutua no luar daquele som...
Senta
Assiste a defesa, brilhante
Insiste na voz... a mesma... tão jovem quanto aquela guardadinha na memória
Foi cumprimentá-lo pelo recém-título e escuta
"Prazer, F."
Arrepia! Ela se lembra. Ele... ele só se enfeitiça.
Os olhares não mais se perderam. O tempo e o espaço dos Deuses se desintegrou enfim!
Agora que nos achamos, somos só nós.
Sem fazer alarde.
Basta.
http://autretourdelafolie.blogspot.com/2011/10/romantica.html
Esse mesmo!
Lembra em como ele era poderoso?
Cheio de energia, mais rápido e mais criativo que qualquer ser normal... Desafiou até os Deuses. E por eles foram separados. Ela, sob o olhar dEle, foi enfeitiçada pela lua. Abriu a janela e flutuou em sua direção. Ele, no fundo sabia, afinal foi com os olhos dEle que Ela saltou - lembra? Mas duvidava...
E ficou...
Trabalhava muito
não conseguia mais criar
Perambulava pelos 4 cantos
encontrava-nA nos braços de Maria B
nos beijos de Maria A
nas palavras de Maria C
nos gemidos de Maria X
toda espalhadinha, mas a música... ainda estava láaaaa longe, baixinha, surda.
Um dia, ao passar pela sala de aula da 8a série, de repente num som vivo e claro
Aquela folia de adolescentes, último dia de aula, todos assinando camisetas da escola, e Ele arrepia. Encontra-se nos olhos lunares dAquela menina...
"Prazer, F."
assina a camiseta. Ela levanta os olhos, Ele evaporou.
Passa o tempo...
Muuuito tempo
Ela, já cheia de títulos e lattes em ascensão, passos apressados para ministrar a próxima aula, passa pela sala da defesa de tese e escuta aquela voz...
Encantada, flutua no luar daquele som...
Senta
Assiste a defesa, brilhante
Insiste na voz... a mesma... tão jovem quanto aquela guardadinha na memória
Foi cumprimentá-lo pelo recém-título e escuta
"Prazer, F."
Arrepia! Ela se lembra. Ele... ele só se enfeitiça.
Os olhares não mais se perderam. O tempo e o espaço dos Deuses se desintegrou enfim!
Agora que nos achamos, somos só nós.
Sem fazer alarde.
Basta.
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Brindemos!
Finzinho de 2011 e aquela TEMPESTADE!!!
Guerreiras, únicas, chuva não derrete e nada é previsível,
Ora, damos conta - GUARDA-CHUVA!!!
Caminhamos na lama, os pés no escuro das poças, o incólume branco da roupa...
... suja!!!
Tá tudo certo! Lama sai fácil com qualquer sabãozinho.
Chegamos na praia, cadê aquela confusão de gente?
PRAIA DESERTA!!!!
Nem mais sabíamos a hora - o mar e a lua, a areia e os poucos pés, nada e ninguém para nos situar
a sensação de estar mergulhada no vazio...
Dissolvemos o que nos amarra no mar
Eis que a chuva foi embora com 2011.
Os fogos comemoraram a boa nova! Nunca foram tão especiais - a praia era só nossa, dos corajosos que não se importam com as intempéries e perseguem o que manda a intuição e a vontade
- esta sim é soberana e agraciada quando nos presenteia.
Beatles!!!
Só.
Guerreiras, únicas, chuva não derrete e nada é previsível,
Ora, damos conta - GUARDA-CHUVA!!!
Caminhamos na lama, os pés no escuro das poças, o incólume branco da roupa...
... suja!!!
Tá tudo certo! Lama sai fácil com qualquer sabãozinho.
Chegamos na praia, cadê aquela confusão de gente?
PRAIA DESERTA!!!!
Nem mais sabíamos a hora - o mar e a lua, a areia e os poucos pés, nada e ninguém para nos situar
a sensação de estar mergulhada no vazio...
Dissolvemos o que nos amarra no mar
Eis que a chuva foi embora com 2011.
Os fogos comemoraram a boa nova! Nunca foram tão especiais - a praia era só nossa, dos corajosos que não se importam com as intempéries e perseguem o que manda a intuição e a vontade
- esta sim é soberana e agraciada quando nos presenteia.
Beatles!!!
Só.
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