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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Jazz

Então... Um pouco de La la land, e um pouco de spoiler tbém


"Há muita magia no filme. Um musical, o que nos leva para um espaço outro. E tem o amor, que é magia em essência.

Um músico, jazz, que nunca foi nem nunca será blockbuster. E tem por sonho um clube de jazz para preservar a beleza de uma harmonia conflitante em que cada musico viaja na própria melodia, meio em paralelo, meio cruzada com as viagens dos outros músicos e que têm sua costura única que leva a uma bela peça.
Uma atriz que vive de teste em teste, e que tem um jeito próprio de contar/ver uma história.

São dois sonhadores que se encontram, se fortalecem com a empolgação, incentivo e admiração do outro. A relação é super profícua, mas esbarra numa realidade que por vezes atropela este outro plano em que se encontram. 
A gente para pra pensar se é possível se manter nesse sonho, tão inspirador e prazeiroso... que parece nos distanciar super da realidade, e, portanto, traduz-se como irreal. Uma irrealidade.

Aí vem a vida que nos puxa para o solo real.
Ela passa num teste para filmar em Paris.
E... ela pergunta para ele: então, o que será de nós?
E ele, com os pés no chão: vc vai agarrar essa oportunidade com todo o seu Ser. E eu vou ter meu clube de jazz. E vou te amar pra sempre.
Ela concorda. O amor será pra sempre.

Passam-se anos...
Ela fez sucesso! Famosa! Casada e com uma filha. Feliz.
Ele tem sucesso no bar. Toca o que gosta, com quem gosta. Feliz 

E eis que, numa quebrada, escapando do trânsito, ela e o marido vão parar naquele clube de jazz.
O músico a vê na platéia.
Inspira fundo.
A imagem se fixa nas teclas do piano.
E ele toca a música deles. 
Com A musica no plano de fundo, passa-se um filme em FF em que tudo foi diferente: ele estava sempre presente, ela tbém (naqueles momentos em que a viagem pessoal foi prioridade), ele foi p Paris com ela, tiveram uma filha, um bar... todas as viagens pessoais, conflitantes, paralelas e cruzadas, conseguiram a harmonia e formaram uma bela peça.
A música acaba.

Ela, ao lado do marido, resolve voltar p casa.

Qdo ela está na porta da saída, seu olhar cruza com o do músico, eles acenam um "sim" com a cabeça: "te amo pra sempre"

Ela segue com o marido.
Ele segue a música."

Sim, o amor! Por vezes ele vem tão avassalador que parece que nos rouba da realidade. Ficamos confusos, o sonho parece mais palpável do que a matéria. Nada encaixa com nada.

Mas aí vem a calma e a atenção nas notas do jazz: cada instrumento faz sua melodia, sua viagem pessoal. A peça vai tomando corpo, e o conjunto fica incrível.

Esta linha invisível que costura os sonhos e a individualidade de cada um, é a parte prática do amor.

E quem há de negar que esta lhe é superior! 

Acho que é isso.

sábado, 19 de março de 2016

Geração coca-cola

Eu fico aqui pensando, neste momento político beeeem conturbado, como podem teóricos tão esclarecidos agarrarem-se mais numa ameaça de "golpe da direita" do que nos escândalos criminosos maaaais do que evidentes. Acho que isso vai bem de encontro com o embolado da "geração da ditadura" e adjacentes. É um medo da "Direita" da ditadura com seu avesso de admiração pela resistência guerrilheira alí instaurada. Morria-se pela causa. Coisa que ficou faltando e foi boicotado para aqueles que nasceram em meados da década de 70. 

Eu entendo. 

Sonhava em ter nascido 20 anos antes para participar da juventude efevercente dos festivais da record, Jango, etc… Bem romântica mesmo. 

Mas… putz, isso já não tem mais NADA a ver depois da globalização advinda com a internet!

Agora os ânimos se direcionam pela sede de justiça. Evidente que o PT está em pauta - é a situação! Se o governo estivesse com outro partido, este outro estaria em evidência. Vai chegar! Maluf não pode sair do Brasil, mas o próximo passo será se restringir à prisão domiciliar. Vão atrás de todos, ah se vão! NINGUÉM pode ficar impune! Nem vai!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Amor e nada

Ainda me lembro de um conversê com um amigo psicólogo.

Meu objetivo era terceirizar e especializar o homem. Deste modo, selecionaria o melhor papo para papear, o melhor sexo para transar, o mais príncipe para romantizar, o melhor poeta para poetizar, o melhor cabra para lutar, o mais sociável para sair com os amigos, o mais azedo para azedar… e assim por diante. Quanto mais "especialidades" o cara tivesse, tanto melhor. Quem sabe se tornaria um fixo e daria menos trabalho no momento de requisitar a função. Mas meu problema é gostar de váaaarios ítens, e seria quase impossível encontrar uma versão masculina de mim mesma.

Briguei pacas com o psicólogo, e por um tempo deixamos de nos falar - acho que isso foi uma heresia com relação à psique humana.

Isso ficou na minha cabeça… Qual o mal nisso? Num mundo extremamente terceirizado e individualista, "coisificado", esta seria a chave para a modernidade nos relacionamentos humanos.

Posso dizer que não fui infeliz nesta empreitada. Afinal, meu crescimento e reinvenção sempre dependeram de mim mesma. Leituras, descobertas, ensinamentos, arte… bastavam!
E posso dizer também que, depois do serviço feito, eu tinha uma enorme vontade de que o cara sumisse da minha frente.

MAS… e sempre há um "mas"…

O outro lado da moeda, bem mais singelo e fácil, é aquele com quem não se faz nada. 
Quando, sem planejar, sem necessitar, sem ter vontade determinada, ficamos com alguém com quem nada planejamos e nem sentimos falta de coisa nenhuma. E, se temos algo para fazer ou alguém para encontrar, dá até uma preguicinha pq está bom demais ficar sem fazer nada com ele.
O dia, a noite, o fim de semana, a semana, o mês, o ano passa.. e nos perguntamos: mas o que foi que fizemos mesmo? Precisamos parar para lembrar pq, qdo listamos, parece que nem foi nada.

Mas bem sabemos o valor deste nada: fácil, singelo, gostoso, tranquilo, sereno… aconchegante.

...e mais nada


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cientificar

Analisar..
classificar..
esquematizar..
sistematizar..

.. despersonalizar


Tant de forêts por Krapoarboricole



terça-feira, 8 de abril de 2014

Ironias das relações

- Mãe, como pode um cara que nunca fala nada, ficar uma hora no telefone comigo e, no dia seguinte, nem me cumprimentar?

- Ah, lindinha, menino funciona diferente de menina… Para ele, uma hora de conversa mesmo que atípica, não implica em nenhuma mudança de comportamento na escola. Tenha paciência…

- Como paciência? E se uma periguete aparece?

Sempre, sempre a mesma história em TODAS as idades.

O amor nos torna vulneráveis, sem dúvida.
A mulher tenta agarrar o cara para que ele não se perca com uma periguete.
O homem.. sempre tem outras coisas mais importantes a fazer. Não suportaria apostar tanto num investimento tão arriscado.

Engraçado como somos realmente nossos maiores inimigos. O que esmaga a magia é justamente o que a faz florescer.

Deste modo, para a mulher, surpreendentemente o que foi tudo um dia, de repente vira pó.
E o homem, depois da perda, percebe que nunca houve nada tão importante quanto aquela mulher.


sábado, 1 de março de 2014

Faxina interna - mais uma face do amor

Sempre detestei as atividades domésticas. Na realidade, há um bom preconceito nisso - tratado como tarefa menor, com baixa remuneração, mal visto... Talvez pq se confunda com obrigação, ou ainda apedrejado pelas feministas - putz, isso até foi necessário sim no contexto histórico, para solapar uma estrutura arcaica e desigual e tals... mas o duro, como qualquer ideologia, é qdo vira uma bandeira. Acho que a bandeira do feminismo detonou muita coisa na sociedade sim, mas isso é tema para outro post.

Volto às atividades domésticas.

De pouco tempo para cá, a falta de voz com a empregada e a invasão das formigas fizeram com que eu enfim me preocupasse com a limpeza. Sério.

Cara... com o tempo, qualquer suposta bobagem nos faz pensar na vida.

Enquanto eu lavava minha cama, descobri como o cuidar de algo nos traz afeto.

Eu achava que cuidar de uma relação era uma obrigação para mantê-la.
O cuidado como tarefa necessária e obrigatória para preservar alguma coisa. Digo tarefa pq é feita sem atenção, sem implicar numa vontade - na verdade, a tarefa implica num "que saco!!!"

Mas não é por aí...

Cuidar de fato, implica em afeto, implica em gostar, implica em vontade!!!!
É esse cuidado que nos faz gostar da relação com o objeto. De certa forma, o vínculo nos traz um tipo de posse até. Faz-nos sentir que o objeto é especial, o que dá vontade de cuidar ainda mais.

É isso!!!!!

Não é exatamente o objeto que se faz nosso. A relação com ele é que é nossa e especial. E a própria relação nos faz gostar ainda mais do objeto e senti-lo ainda mais especial. E, para mim neste momento, descubro que o cuidado com prazer é uma das ferramentas sim.

Acho que, cuidar da casa, uma atividade socialmente vista como desprezível , ensinou-me a temperar e saborear o amor com outras papilas gustativas.

Eu me lembro de alguém muito especial ter me dito um dia que se deveria viver 2 vezes.
Acho que discordo.
O bacana desta vida, não é fazer certo. É aprender um outro olhar. As descobertas!!!

A escuta atenta é ainda mais preciosa e sublime do que o dizer que quer atenção.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Alternativo

Se vc fosse uma música, seria esta:


Era um comercial de cigarros, imagem azulada, no solarium de um prédio. Um casal apaixonado, alternativo...

Para mim, desde pequenininha, o que era alternativo pertencia aos adultos. Um fascínio por isso, uma liberdade plena para escolher o que bem entendesse, viver como bem quisesse...

Uma coragem e auto-suficiência para se jogar no abismo da vida! De entrar no mar sem medo do tamanho das ondas...

Acho que isso ficou na minha essência.

Não sai.

Mesmo cansada... saciada...

Não sai.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Banco de reserva

Quem és? Perguntei ao desejo
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
H Hilst


Dizem os psicoterapeutas que o homem tem medo de perder o que tem. E a mulher tem um vazio por dentro que precisa ser preenchido. A velha teoria sobre o falo.

Eu fico pensando se é por isso que eles sempre voltam...

Uma mulher que se conserva interessada e interessante, em determinado momento acaba tendo uma legião no banco de reservas!

Entretanto... não sei se isso se aplica a todas as mulheres, mas.. em geral, à partir do momento em que a mulher fecha o livro da estorinha... passou. É incrível como passa!!! O que antes era como uma fonte motriz para respirarmos até, vira pó.. e vira nada.
Não se trata de mágoa
Nem de ressentimento
apenas... passa.

Dá até uma certa tristezinha. Pq é bom DEMAIS sentir e se entregar a esta força motriz!
Eu, particularmente,
- cuido
- alimento
- acaricio
- dou o que tenho e o que não tenho e me inundo de prazer
- o cara realmente se sente especial - coisa boa a gente não pode regular!!!

Aí o cara acha que a partida já está ganha e desanda a descuidar...

A gente não sabe exatamente o momento em que nos damos conta disso, mas o fato é que um dia percebemos que algo mudou. Ninguém tem culpa de nada. Simplesmente... passa. Este é o ponto de vista da maioria das mulheres que conheço. Pode até ser uma amostra viciada, mas isso existe.

Acho que é diferente com os homens. Acreditam que, uma vez conquistado o terreno, é dele. Pode até ser de outros, mas continua dele. Simplesmente não entende que perdeu, afinal, aquilo tudo foi um dia conquistado!!!

Qdo a história foi bonita, fica sim um tremendo carinho pelo cara, por tudo que nos proporcionou, por todos os momentos incríveis!!! Mas a gente sabe que o livro se fechou. Não dá para reviver.

Passou.

Portanto, dica aos homens: se realmente se sente especial para uma mulher, se conseguiu conquistar aquele universo de aconchego e paz... preserve.
- cuide
- alimente
- acaricie
- não precisa dar o que tem e o que não tem.. a constância é que conta, e não a intensidade
- precisamos ter a ilusão de que somos únicas: a mais inteligente, a mais bonita, a mais espirituosa, a mais companheira... não tem bicho mais competitivo do que mulher, aff!!!

E não precisa se sentir responsável por ela para o resto da vida. Pq não é. Pq quando passa...

passa.






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ciúmes

Tenho um comportamento visceral que me irrita e me envergonha profundamente. Fazer o que.

CIÚMES

O pior é que eu tenho uma capacidade ímpar de estabelecer conexões. Para mim é muuuuuito fácil construir pontes entre os pensamentos mais díspares.

Nunca me esqueço de um episódio em que um ex falava sobre o comportamento esquisito da cachorrinha da ex - ela se masturbava nas almofadas da casa, na cara dura, e ele achava aquilo sinistro.
Eu, cega de ciúmes da ex (que eu até conhecia e achava uma fofa!), já discursei sobre o preconceito contra as mulheres que gostam de sexo.
Aí descambei geral... Nem vale a pena discorrer sobre este assunto, tão esdrúxulo e maluco...

Eu realmente enlouqueço e minha cabeça começa a dar loopings!
Mas eu já estou aprendendo sobre minha loucura.

Sento...
Respiro...
Tomo uma coca zero...
E repito: vai passar!!!

E passa.
E me sinto A MAIS ridícula.
Mas aí... já foi. Já falei, já merdeei tudo.

Por isso que nem procuro! Não olho para os lados, não exijo, nem toco no assunto. Pra que? Vai me irritar, vou irritar o outro, e será tudo absurdo, papo de loucos mesmo - pq foge completamente ao meu aparato racional.

Isso me irrita TANTO que prefiro pular fora. Desligo do cara e sigo em frente!
De novo: NUNCA falar de uma mulher para outra mulher. Nem da mãe!

http://autretourdelafolie.blogspot.com.br/2010/05/colher-de-cha.html


sábado, 11 de janeiro de 2014

Reload

Conheci Herman Hesse com Demian, na minha adolescência ainda. Marcou minha vida. Fiquei tão encantada que tentei o Lobo da Estepe. Não dei conta. Tbém, o que uma menina cheia de brilho nos olhos dos seus 15 anos tem a ver com a vida de um amargurado de 50 anos? Fechei o livro e guardei na estante.

Recentemente, fui arrumar as caixas com os livros e o Lobo da Estepe caiu nas minhas mãos. Comecei a folhear, e em um dia terminei com um "ué, era isso?"
Mas o que era tão grandioso e difícil nisso aqui?!?!?!

Como quando por um acaso a gente passa pela rua onde crescemos.

Ou revisita a escola ou a faculdade ou a cidade universitária...

"Ué, era isso?!?!?!"

O desconforto, a diferença é tanta que dá receio de "revisitar" momentos que guardamos no melhor lugar das nossas memórias. Não releio "Demian" nem a pau. Nem "O apanhador no campo de centeio"... Mantenho-os no melhor lugar da estante!

Mas... e se eles batem a nossa porta? Se caem, abertos, na nossa frente?
Fecho os olhos?
Fujo?
O respeito pelas sensações que os melhores livros nos despertaram, pede com a mesma força tanto para mantê-los no melhor lugar da estante, quanto para deixá-los entrar novamente à nossa vida...

É... seja o que for, uma história sempre pode ser re-escrita... Basta não impor que ela se repita.

Como se fosse fácil assim rs...

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Traição, casamentos, contos de fadas, mais do mesmo...

Dia desses estava conversando com uma amiga, casada com o primeiro namorado, único homem da vida dela. Bem nascida, bem (?) criada, aluna e profissional exemplar, boa mãe, boa filha... Enfim, exerce bem suas funções.

Eis que, por um acaso ou ainda, por descuido, umas mensagens suspeitas entre o marido e a amiga do trabalho, caíram no celular da filha de 9 anos. As pessoas ainda não sabem usar direito esta "nuvem" e compartilham coisas sem saber.

Até aí, nenhuma novidade. Nenhuma novidade pq o marido tbém é do bem: bem nascido, bem criado, aluno e profissional exemplar, bom pai, bom filho... Enfim, exerce bem suas funções.

Minha amiga foi tirar tudo à limpo. Com classe. Sem gritaria. Como Íon que pediu a verdade sobre sua orígem. Isso foi legal! Decente! Pela força e imposição da verdade, acima do bem e do mal.

O desenrolar da história: o casamento continua. Tanto o da minha amiga, quanto o da "amiga" dela:

"Mas alguma coisa se quebrou. Não é a mesma coisa." foi o que ela me disse.

Neste momento, o que exatamente se quebra?

A confiança?
É a primeira resposta que nos vêm. Mas aí já começa um viés. Confia-se em quem se conhece. Neste caso a quebra de confiança implica em desconhecer a pessoa.
Já passei por isso. Já falei sobre isso. Parece um estranho no ninho:
http://autretourdelafolie.blogspot.com.br/2013/08/um-estranho-no-ninho.html

Será que é possível realmente conhecer um outro Ser? Quando o outro faz o que se espera que ele faça, ele está apenas cumprindo seu papel ou, "exerce bem sua função de cônjuge". Mas isso não é a mesma coisa que conhecer o outro na totalidade.

O sonho?
Este sim pode ser o ponto. Fomos criados com contos de fadas, com o "felizes para sempre", com a família de paiemãeemeninostudojunto pra sempre... Quebrar este sonho é uma trombada! Mas, garanto, uma trombada do bem, para acordar para a vida. Uma relação afetiva há que depender estritamente das pessoas, e não de suas funções. É vontade de estar junto, e não dependência da função do outro.


Com quebra, sem quebra... acho que o lance é simplesmente a vontade de ficar juntinho.
E isso não se acha em toda esquina. Pena.



domingo, 24 de novembro de 2013

PONTES

Tem coisas que fico até envergonhada em dizer. Isso esbarra nos preconceitos que nos foram impostos na nossa formação. Digo preconceitos pela forma de "dogma", cuja dúvida parece solapar nossas bases.

Entretanto, com o passar dos tempos, acabamos vivenciando algumas experiências que colocam estes dogmas na berlinda...

O que explica o gosto? A empatia? O olhar conhecido de quem nunca vimos antes? A intuição...

O que é exatamente a intuição, se não uma impressão que independe das evidências?

O ponto em que quero chegar:
1. Existe alguma entidade que organiza os eventos? Ou...
2. de certo modo, exercemos alguma influência no curso dos eventos? Ou ainda
3. é tudo coincidência, e nós é que temos a capacidade de inventar causa e conseqüência para tudo? Ou seja, somos capazes de construir pontes entre quaisquer fatos?

Sempre acreditei no 3. Que a Natureza é caótica, as coisas acontecem ao acaso, como "trombadas" pela vida. E nosso lado romântico de criar histórias e "moral da história" acaba encontrando sentido em cada sucessão de trombadas. Deus é o motivo MAIS fácil e óbvio de se dizer.

ENTRETANTO...

Com a vivência de coisas esquisitas, quando a exceção passa a acontecer mais de uma ou outra vez, passo a desconfiar... Se não desconfiasse, seria uma teimosa obtusa até!!!!!

Ainda é muuuuito complicado acreditar num ser onipotente e onipresente capaz de escrever e organizar os eventos. E que, nesta linha de raciocínio, a intuição ou premonição ou "algo me diz que..." nos permitiria antever o que foi escrito. Ah, isso é demais para mim.

Por enquanto, acho que como elementos da natureza, temos uma determinada energia (ora, somos feitos de matéria, de elétrons e protons e neutrons e positrons e seilamaisoquê...) que emana um campo eletromagnéticoquântico... Esta energia depende da somatória de todos nossos elementos que DEPENDEM da somatória vetorial do movimento das nossas partículas (ou antipartículas rs). Ou seja, é IMPOSSÍVEL determinar ou prever ou até quantificar a energia resultante dos movimentos neste universo infinito que é nosso corpo - ou melhor, nosso Ser.
PORTANTO: nosso "modo de ser" ou nossos atos e sensações, interferem na nossa energia resultante. Ou seja, nosso "modo de ser" determina nosso campo eletromagnéticoquântico. Que acaba, por fim, interferindo no campo do outro ou, da Natureza. Nossos olhos não são capazes de detectar estes movimentos, microscópicos e infinitos que, na somatória, determina nosso presente.

(...)

Essa foi uma tremenda historinha de causalidade que acabei de criar. Afinal, minha veia romântica não se deixa relevar.

Ou seja: a conexão existe. A vontade a determina, claro! Afinal, nossa energia depende da nossa vontade também. O ponto é: o que não conseguimos determinar é a extensão da nossa vontade. Uma parcela dela é consciente. Mas a GRANDE maioria é inconsciente.

O desafio é estar atenta o suficiente para identificar e, mais do que isso, assumir esta maioria inconsciente da nossa vontade.

De novo, sábio Marquês de Sade que dizia que nosso arqui-inimigo principal está dentro de nós.
"Liberte-me da minha tirania"

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Um estranho no ninho

Ciúmes...
Traição...

Uma coisa aparentemente implica na outra. Mas o ciúmes, ao meu ver, se limita na suspeita. A traição é uma realidade.
Engraçado como, na maioria das vezes, a traição nos pega de surpresa... O ciúmes de nada serviu para alertar. Ou seja, não estão conectados como processo... Estranho, né?

Enfim, uma vez parei para pensar... E, de novo, quem me fez entender foi minha filha. Como as crianças, por vezes, conseguem verbalizar um sentimento de um modo TÃO simples?

Um dia, abriu a porta num momento inesperado e viu um estranho no ninho.
Estupefatas, a palavra solta ocupou o vazio INFINITO entre nós.
As lágrimas...
E aí a entrega com as palavras sinceras, pausadas, coladas ao sentimento...

"mamãe, vc não pode mentir para mim. Se não, quando eu descubro a verdade, parece...
... que vc não é mais a minha mãe."

As mulheres conversam muuuuito sobre tudo, um universo muito maior do que o restrito a carros, futebol, peitos e bundas (como os XY)... Ouvindo experiências próprias, outras, constatei que no campo da traição, a decepção vem muito daí: cai no nosso colo uma face estranha do outro...

Um corpo estranho entra no nosso ninho.

Cara...

Quanto mais "pura" e sincera consideramos a relação, maior o estranhamento daquele novo Ser. Parece que desqualifica TUDO o que se viveu antes!

Mas, sabe, acho que não é bem assim...

Impossível ser a totalidade sempre! Não somos nosso total com todos. Temos sim um jeito de nos relacionar com um filho, outro com outro, outro com o amigo X, outro com a mãe... e assim vai. Somos sim uma multiplicidade de seres, e PRECISAMOS aceitar que o outro também é. Tal pessoa não é irreconhecível quando está em determinado ambiente... É outra face, e só.

Acho que o que importa, mesmo, é a vontade e o comprometimento em viver ou não a relação.
Sou comprometida nas relações que acho que valem a pena afetivamente e tento deixar isso BEM claro - ou, pelo menos, tentarei. Mas nem eu nem o outro é somente aquele que se mostra.

Ainda bem!

Será que agora dou conta do ciúmes?

terça-feira, 9 de julho de 2013

Crise da Medicina

Estamos num momento de indignação por aqui. E a última delas, ou a que mais me atingiu, foi a que se manifestou contra os médicos. Estamos observando uma saraivada de críticas que maculam sim aquela imagem endeusada do que tem a arte de curar.

Evidente que meu sangue ferve. Mas não dá para ficar nisso. Há que se perguntar o porquê disso.

Temos que reconhecer. O médico não é mais aquele que tem esta propriedade. Ou melhor, o conhecimento até tem, mas não sabe mais como mostrá-lo em sua atitude, em sua maneira de conduzir a ciência.

Estou estudando o último curso de Foucault - A Coragem da Verdade. Ele se propõe a, justamente isto. Analisar a verdade não enquanto ao discurso, à veracidade do seu conteúdo. Quer analisar a relação entre sujeito e verdade ou, o tipo do ato pelo qual o sujeito, dizendo a verdade, se manifesta. Qual o tipo de ato que representa a si mesmo e é reconhecido pelos outros como dizendo a verdade.

Neste comecinho do curso, ele diz ser imprescindível a presença do outro, para que este ato do dizer verdadeiro, apareça. E a condição para ser este outro, é que ele seja um "parresiasta"... Aquele que tem como prática, e é reconhecido por quem tem a fala franca. Para quem o dizer verdadeiro sobrepuja a vida (como Sócrates, como Giordano Bruno...).

Ainda vou prosseguir nos estudos.

Mas é isto que se perdeu entre os médicos, entre os professores principalmente os que se mantém na academia, entre os amantes... A parresia. A fala franca. Não a veracidade da fala, mas a relação que temos com a verdade - nossa atitude.

Por vezes o discurso verdadeiro (a doença, a morte, a ignorância, o desamor...) machuca e assim queremos desprezá-lo. A verdade desafia. Mas se não tivermos a coragem de abarcá-la e acolhê-la como merece... caímos em total descrédito.
Como está o médico hoje em dia...

... professores
... profissional qualquer
... amantes

Foda.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Out of Sight 3

Mal chego em SP e deparo com uma série de manifestações.

Justo quando a indignação era o tema do meu momento. Principalmente depois do que vi em Berlim. Por lá mesmo, parei para pensar nisso...

Já escrevi por aqui sobre a indignação. Para mim, a caldeira para isso é a sensação de mãos atadas. Ainda bem que existe válvula de escape, assim como nossos mecanismos de defesa. Aprendi algum dia, na faculdade, sobre eles - sublimação, histeria, dentre outros que no momento não me recordo.

Mas vamos sem termos técnicos. Diante de uma indignação, qdo ficamos sem voz (poxa, qdo eu era pequena sonhava TANTO que estava afônica! Que queria gritar, brigar, e não conseguia... era o pior dos pesadelos. Ainda bem que parei com estes sonhos há uns... 5 anos rs), há inicialmente 2 vias:

1. Irascível - ou quando a raiva, que nos movimenta, nos domina:
 - aí vem as brigas por um lugarzinho no vagão do metrô, como já coloquei por aqui.
 - ou, se canalizada por um objetivo comum, as manifestações - como presenciamos em SP nesta 2f. Aliás, foi lindo, viu!!! Parecia a torcida do corínthians naquele jogo roubado contra o boca juniors pela libertadores...

2. Passivo - ou quando existe uma vontade de expressão, via o belo ou o humor, enfim, que abarque a estética/prazer que sabemos que é o melhor jeito de nos atingir.
 - arte
 - humor

Estas vias nos dão a sensação de burlar, de escapar do sistema que nos aprisiona e sufoca.

Em Berlim, a violência imposta à população foi absurda! Primeiro com as guerras, e depois com o muro. E tudo muito juntinho... Poxa, foi "ontem" que houve a queda do muro de Berlim!

Já imaginou, de repente, sua família ficar do outro lado do muro? Seu namorad@? Seu melhor amig@? Imagine a indignação! As crianças nascem neste clima, em que o outro lado é completamente obscuro e fantasiam, diante da guerra fria, sobre o que está atrás do muro. Não há melhor alimento para a fantasia do que a ausência de informação.

O que houve com a queda do muro em Berlim: os jovens orientais correram para a liberdade de expressão e consumo do lado ocidental e esvaziaram o espaço por lá. Os jovens ocidentais perceberam a liberdade de espaço - ainda paro para pensar nisso... se a liberdade de espaço não seria o avesso da liberdade de expressão e consumo... - e ocuparam os espaços vazios. Agora, a vida cultural está em Berlim Oriental, inclusive nas ruas. A expressão qto a indignação atual, ocorre justamente onde era proibido: no espaço oriental.

Não é incrível?

A indignação pode sim render bons e belos frutos


 Irônicos, ácidos, politicamente incorretos...

 Contundentes e, obviamente, tensos...



É o que espirra! Mas há que se ter atenção para encontrá-los! Que tal começar justamente naqueles espaços que escapam ao nosso olhar sistemático...


Vale uma encarnação! Ou várias rs

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Out of sight 1

Os sistemas atualmente estão dominando meu pensamento enqto estou em trânsito - "esperando chegar em algum lugar".

Acho que é por causa da vivência e mudança rápida de costumes. Barcelona, Amsterdam, Berlim e Praga. Em 3 dias fica impossível conhecer um povo ou cidade em sua profundidade. O que mais chama a atenção são as diferenças quanto à nossa própria impressão das coisas. Como costumo dizer, a estranheza é o principal sinal de mudança, seja em nós mesmos ou com o outro.

Uma das coisas que mais choca são as indicações nos aeroportos ou ferroviárias. Sei que nos EUA, é tudo muito fácil, as indicações são perfeitas, por mais perdida que seja, incrivelmente eu me encontro melhor por lá do que aqui! Se procuro um banheiro, acho. Se procuro um transporte público, acho e consigo saber onde comprar os tiquets, se preciso, qual é necessário.. Tudo é feito para boiada mesmo. Aliás, a língua é óbvia e fácil, sem muita margem de interpretação. Exata!

Chegamos em Frankfurt. Ficamos hoooooras indo para lá e para cá. De repente, a seta sumia. Ou, algo escrito que, por não entender a língua, passávamos. Os terminais A, B e C não eram lineares, formavam um triângulo. Em dado momento, havia a indicação: A, Z. O que seria isso? B e C não estão no meio? De onde aparece Z? Passamos num balcão de informação. Má vontade, responde o que perguntamos, mas não explicam. A palavra como informação, e não como explicação. Conheci uma advogada na volta, estava na Alemanha para um doutorado sanduíche em direito penal. E confirmei minhas suspeitas: o idioma é completo. A explicação está na palavra até. Há pouco desvio de interpretação. É o que a palavra diz ser. E ponto final. Não cabe mais perguntas. Qdo isso se passa para o inglês, monta-se um gap.

É isso. Toda comunicação carrega um gap. Para seres de uma mesma cultura até. Quiçá de culturas diferentes.

Quiçá para lógicas de pensamento e "ranking de prioridades e interesses" diversos...

Aí vem a melhor parte!!!! O que escapa do sistema, e, no fundo, o tema deste blog. O avesso das coisas, o inútil e o que se mostra como pura manifestação do ser humano. E Berlim é muito rico nisso. Afinal, o muro lhes foi imposto de uma hora para outra, instalou-se a ausência total de comunicação, e repentinamente ele se foi! E isso tudo há 20 anos - muito pouco mesmo! Mas isso é tema para outro post...

Esta é a chave, o cerne das tensões - ao meu ver, no presente momento, já que tudo pode mudar... As diferenças entre 1. Interesses e prioridades 2. Lógica de pensamento 3. Gaps na comunicação, na própria linguagem da fala e do comportamento.

Mas é justamente isso, essa estranheza, esses matizes da zona de transição entre o confortável e o desconfortável, que faz aflorar as mais diversas expressões do ser humano. E isto já já coloco por aqui!

E não é que chego em SP e dou de cara com essas "expressões"? E cada um me contando de um jeito diferente? Essas "expressões" são fantásticas: ABALAM as estruturas e repercutem, remodelando o modo como se vive. O sistema está lá, e dali não sai - ora, é imposição pura, externo ao ser humano. O que muda é o olhar e a atitude diante dele. Isso sim é expressão de humanidade!


Só uma palhinha p o próximo pensamento.. um outro olhar do avesso ;)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Todo... e suas partes

De vez em quando tenho um ideal de perfeição, do que é mais simples e belo e correto... Eu me lembro de ter lido em um livro, do W Heisenberg do princípio da incerteza... sobre Einstein... o simples e o belo e a natureza.
Ou, a natureza é bela e simples

É.. o que é. Sem porquês. Sem lógica conhecida ou óbvia.

Ora.. tem retina podre que não cola de jeito nenhum!
Não consigo fazer minha filha entender que não se deve deixar ninguém esperando por ela.
Existe gente que insiste em nos agredir, e não conseguimos entender de onde vem tanta raiva
... ou não há raiva nenhuma, e nem é intencional
Tem gente que simplesmente... não dá conta. Tem todas as ferramentas, mas não dá conta

Parece que a Natureza tem sua simplicidade que desafia a nossa capacidade de compreensão. A simplicidade exclusiva dela.

E eu... preciso parar com minha intransigência. Ou ainda, preciso aceitar que se trata de uma intransigência, inclusive aquela de não concordar com minha intransigência.

Não se trata de "me conformar"

Mas é tentar me abrir para a beleza da simplicidade do que escapa ao meu entendimento...

... é porque É

simplesmente, É.


sábado, 20 de abril de 2013

Solo craquelado

Eu sei que a visão se desenvolve nos primeiros anos de vida. Se passar disso, e o olho não for estimulado, já era. E o que estimula um olho? Uma imagem nítida.

A visão, e isto é um tema que particularmente muito me agrada, foi comparada ao saber, ao conhecimento deeeeeesde os pré-Socráticos. Portanto, desde que houve registro ou transmissão do conhecimento. O que se vê, existe. Afinal, é o nosso órgão do sentido mais poderoso ao se comparar com os outros seres vivos.

Mas o que percebo, com o passar dos anos.. é que a MESMA imagem não é coincidente de pessoa para pessoa. Por vezes, até para nós mesmos em momentos diversos. E isto tentando ser o mais objetivo possível, sem entrar nos meandros da arte, da subjetividade, do gosto...

De novo, sutilmente, nosso cérebro com a capacidade peculiar de tapar buracos.




Sim, tvez não somente a imagem nítida, como os nossos vícios cerebrais nos primeiros 5 anos de vida acabem por fundamentar algumas verdades com uma definição tal que, suspeitar delas chega a derrubar o chão em que pisamos.

Nem vou citar exemplos por aqui. Afinal, cada um tem sua lógica ou, sua forma, muito particular e por vezes intransferível.

Mas meu objetivo aqui é só salientar que nossa realidade é sim frágil. Que o nosso chão se mantém por um fio. E que a única coisa que nos conecta ao mundo, e cada vez mais acredito nisso, é o

AFETO!!!!!

nossa única verdade. Volátil. Mas é o que realiza a vida.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Dica

Estava pensando na música do chico sobre um copo pela metade cheio ou vazio.
Quando a porta do estabelecimento está entreaberta - fecha ou abre?

Percebo como estão os relacionamentos nestes tempos líquidos. A porta, no máximo entreaberta. E, no mínimo, entreaberta. O que é capaz de mantê-la assim, escapando de sua tendência?

De novo, Kant está certo: o medo ou a preguiça.

Sim, às vezes o que está por ser conhecido é tão diverso, mexerá tanto com a pseudo-estabilidade da rotina, que dá preguiça de tudo mudar. E medo de, depois de mudado, ter que reestruturar se tudo mudar novamente.

As ofertas são tão grandes, o leque amplo de pessoas, que pensamos: "ah, melhor partir para outra. Tanta gente para se conhecer... Vai existir um que encaixe direitinho e não dê trabalho"

Pode ser sim um estilo de vida. Estilo este que endeusa o parceiro, de tal modo que seja exatamente como deseja: o que nos completa ou o que coincide conosco, mantendo a rotina como sempre foi. Não dá trabalho, não requer esforço e se escapar, nada terá que reestruturar. E vamos pulando de galho em galho, nos divertindo enquanto dura, e dando um "foda-se, eu não preciso dele mesmo..."

pausa para refletir...

Acho que agora me percebo uma obstinada. Gosto de ir até o fim. Mesmo um filme ruim, gosto de ver como termina.
Eu gostaria sim que me procurasse e que apostássemos nesta porta entreaberta. Sou preguicenta, mas medo, definitivamente não tenho. Nem de portas fechadas e nem de portas escancaradas.

Estou te esperando!

=)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Carrossel no abismo



 O fim de uma relação é sempre punk. Tvez pq, ao se colocar tudo em perspectiva, o fim se torna um downgrade impressionante. Quanto mais voluptuoso o início, mais vertical é a queda. Mas isso não quer dizer que um fim manso, por conta de uma relação mansa, não seja punk...

Não somos preparados para encarar o fim.

Afinal, assim que nascemos, já sabemos que terá fim. Talvez em algum momento, quando a farmacologia não era voltada para os neurotransmissores, aqueles que não conseguiam se livrar da idéia da morte como a única certeza, morriam de depressão. Afinal, para que fazer isto ou aquilo se tudo com certeza terminaria?

Aí... a seleção natural propiciou a capacidade de "esquecer" o irremediável fim, como inerente ao nosso DNA. O efeito colateral:? O "para sempre".

Felizes para sempre
Amor eterno

Até o amor entre pais e filhos é construído como eterno e imutável. Pô, um filho ou um pai/mãe desgracento é moralmente inconcebível!!! Mas eu me lembro do pedigree do meu falecido cão: uma putaria de mãe com filho, pai com filha, tudojuntomisturado... Ou seja, este vínculo com quem geramos ou por quem fomos gerados pode ser sim uma falácia moral... O primeiro "para sempre" para nos aconchegar e trazer a segurança para transcender a idéia do fim, da morte.

Sim, procuramos uma segurança para nos agarrar e transcender a idéia da morte certa.

Vamos encarar os fatos, vai...

1. O fim existe, é inevitável. Mas não temos a menor idéia de quando ele chegará
Lembrei-me deste post
http://autretourdelafolie.blogspot.com.br/2011/08/nao-ha-situacao-mais-delicada-do-que.html
A principal diferença é que, naquele momento, eu insistia na infinitude do presente. Ou seja, o fim ainda não estava posto. Ainda me apegava à transcendência do amor eterno para abafar o fim.
Ok, mas vamos prosseguir no guideliness...

2. O fim chega. Portanto, vamos ser práticos e colocar em pratos limpos.
3. Por incrível que pareça, passamos pelo fim, mas há algo que continua!!! Aí me vem uma imagem beeeeem Heideggeriana.
4. O que continua é o nosso ser jogado no abismo, no vão, no vácuo, na ausência de forças, gravidade zero mesmo, massa zero, tudo zero. Este é o momento em que não podemos nos perder. Aí eu me lembro da conjectura de Poincaré, uma bolinha no vácuo...
5. Viramos uma bolinha, como a do post da saudade
http://autretourdelafolie.blogspot.com.br/2010/03/saudade.html

Quando o fim está no presente, não assusta não. Dá uma imensa preguiça dele sair...
E olha lá, tudo de novo, a infinitude... no fim.

Talvez pq... o presente é infinito, não? Acho que é isso! Pouco a pouco aprendo a viver o presente.
Aí está a verdadeira noção de infinito...