sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Wear out



Se eu pudesse ser o que espera de mim
se eu soubesse ser o que espera
se vc soubesse que enfim me encontrou

e se eu soubesse que enfim me encontrei

em nada mudaria

Afinal, aqui estamos agora.

FATO.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Coragem

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."
João Guimarães Rosa



Faz tempo, muito tempo que não sinto este sabor...
Um aroma amadeirado, puro, que esquenta a garganta
e já no comecinho deixa um torpor...
... leve

escapo do meu rigor,
da minha educação
e talvez da minha doçura

ou não.

Mas a verdade é que estou cansada disso, 
e escapar da minha jaula faz-me bem

Mas que jaula é essa?!?!
Eu vou levantando todas as grades,
em nome de um encontro,
antes fosse sublime...

Mas é raiz.
Aquela que invade minhas pernas
sobe pelas minhas coxas
e penetra bem fundo

Vc não é sincero comigo
Sei que não é.
Vive me procurando
...e me afasta.
E eu, permito.

Sei que nos assustamos, desafiamos nossas convicções.
Sou boa demais, além do que é permitido no seu script.
E vc encanta minha jaula.

Estamos completamente perdidos...

E, se somos tão corajosos,
...resilientes...
Por que tanto, tanto medo...

A vida é uma só,
e o que ela quer da gente é coragem.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Alternativo

Se vc fosse uma música, seria esta:


Era um comercial de cigarros, imagem azulada, no solarium de um prédio. Um casal apaixonado, alternativo...

Para mim, desde pequenininha, o que era alternativo pertencia aos adultos. Um fascínio por isso, uma liberdade plena para escolher o que bem entendesse, viver como bem quisesse...

Uma coragem e auto-suficiência para se jogar no abismo da vida! De entrar no mar sem medo do tamanho das ondas...

Acho que isso ficou na minha essência.

Não sai.

Mesmo cansada... saciada...

Não sai.

Pré carnaval - pré (des)encontro

O carnaval por SP está ficando cada vez mais interessante... Eu não sei se é pq paulista que vai para blocos de rua já tem uma coisa menos sisuda no coração, mas o fato é que o povo entra no clima e fica bem bacana!

Minha filha com recém 15 anos completos, nem quis ouvir falar em festa de aniversário, muito menos em festa de debutantes (esta á minha filha!!!), mas pediu uma guitarra para uma avó, um cavalete para a outra (que orgulho =) e me disse: "mãe, acho que tá na hora de ver como é o carnaval né?"

Antes de deixar de viajar para experimentar o carnaval, resolvi procurar um bloco no pré carnaval. Uma dica para melhor optar.

Assistimos a passagem de som do Sargento Pimenta "A hard day´s night" - adorou reconhecer Beatles!!!! E eu ainda mais =)
E ficamos no meio da avenida, sentadinhas numa sombra enorme que estava dando sopa, na concentração:

- Xiiiii, mais 4! Agora a coisa vai piorar. O lugar está bom, mas não é a toa que está vazio

Uma senhora, sentada ao lado da netinha. Irônica e fresquinha, nos abordou de soslaio..

- Por que? Não entendi... Tá ruim aqui?

Pensei que alguém tivesse vomitado no lugar, um enxame de abelhas, sei lá... Alguma encrenca braba por alí. Ah, desligamos e ficamos naquela sombra enoooorme, vendo o povo passar com fantasias mega divertidas.

Eis que 3 caras com aparência de bons meninos, naquele estado carnavalesco, começaram a dar o ar da graça: cantavam todas as meninas que passavam, sem parar! Cantadas das mais diversas, ininterruptas!

- Entendeu agora? Eles não param!!!!!

Os meninos estavam recarregando a pilha qdo sentamos. Mas éramos, segundo a velhinha, 4 moças e o bicho ia pegar! "Carregados", nem olhavam para os lados e só se dirigiam ao fluxo que passava pela avenida.

Foi divertido ver a cara de tédio das meninas kkkkk

Aí enfim encontraram uma amiga de longa data! E ela se aproximou com outras amigas! Todos se cumprimentaram, pediram para que tirássemos fotos, e pensei: agora eles se acertam!
Que nada! Ficaram tímidos! Mal se entrosaram com as garotas, loucas para conhecê-los - eles tinham cara de boa família...

E minha debutante:

- Nossa mãe, achei que eles melhorassem quando saíssem da escola!!!!

Ri MUITO!!!!!!

A nossa cara com as trapalhadas dos meninos é de tédio mesmo - pô, pelo visto desde sempre!! - O jeito folião com que se aproximam ou como querem chamar nossa atenção nos diverte, mas em geral é o mesmo: um certo abobalhamento do comportamento.

Mas nessas, de algum modo, algo nos fisga: um olhar que arranha nossa alma, uma palavra, um detalhe - se o cara explicar o princípio da incerteza então...

E aí, véio... O cara que tem culhões e nos enfrenta e dialoga...
...nos deixa completamente abobalhadas.

Aí começa o (des)encontro.

P.S. Minha filha achou que ainda não está no momento. Talvez com 18 anos...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A vida feita de alianças

Acho que sempre fui cagona para encarar um relacionamento. Nunca apostei todas as fichas num só investimento, ou num só trabalho... Simpatizo muito com planos B.

Não me lembro de ter decidido ficar noiva, ou de ter decidido me casar. Eu sei que nós estávamos na faculdade, lendo o jornal, e vimos um super anúncio de ofertas de alianças no Mappim. Adorávamos passear no centro de SP e este era um bom motivo para passear por lá.

Estava barato mesmo: compramos. E vestimos. Achamos legal, oras...

Todos passaram a nos cumprimentar pelo "noivado". Achei chic rs...

Elas eram beeeeem fininhas mesmo, e vivíamos tirando lasquinhas da pele, tal lamínula que eram.

Meu pai já não usava aliança há muuuuuito tempo - achava uma tremenda besteira, e incomodava. Minha mãe quase teve o dedo enforcado por aquilo! Conseguiu tirar com sabonete, e resolveu encostá-la.

Era uma época em que ela havia conhecido uma ourives e então decidimos: simbolicamente derretemos as alianças dos meus pais, juntamos com as nossas, e fizemos umas mais decentes que não nos arranhavam mais.

Baita aliança!!!! Via-se de longe! Aquela aliança não era mais de brincadeira de liquidação de Mappim, era de verdade!!! Terminada a faculdade, começamos a trabalhar... casamos.

Família feita, casa pronta, não é que fui assaltada e levaram minha bolsa com a aliança dentro? Senti mais pela bolsa, novinha!!! A aliança... sabe que nunca dei muita importância para isso? Ela sempre me pescou, nunca procurei por ela.

Até tentamos. Pegamos a dele, derretemos e fizemos 2 novas. Mal se via a diferença entre a original e a substituta...

Pouco tempo depois... despimo-nos delas em meio a lágrimas intermitentes. Guardamos.

Acho...

Ontem, sei lá pq, resolvi procurá-la.

Revirei a casa!!!

Não achei.

Poxa, não achei meeesmo!!! Nem sei quando a perdi.

Eu vejo o mundo a minha volta... tudinho planejado! Toda a vida afetiva planejada...

Cara... para mim, acho que foi circunstancial. Minhas decisões afloraram do momento, da experiência, sem dar a menor importância para os rituais ou para as convenções. E acho que por isso deu tudo certo.
Tudo muito certo. De nada me arrependo.

E eis que me vejo corretamente desprovida de alianças.
Para assim ser ou para, enfim, por outras ser atropelada.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Por vezes. Só por vezes.

Por vezes me canso de lutar,

Aquela luta leve e dispersa
Delicada nos gestos
Fina e aguda

Cansada mesmo.

Será que cabe pedir que se aproxime?
Que me empreste sua força, só por um momentinho?

... é que, por vezes, bailo na curva.
Só por vezes.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

e no auge do verão

Foi ontem,
Solta na beira do mar
e aquela tsunami me engolia


Eu, desancorada,
desviava e procurava o ar
como se fazia possível

As paixões me arrebatando
os olhos de espanto
solapados pelo brilho da vida

Viciei na adrenalina
...

Mas o que será que ocorreu
que trouxe tanta paz...

O brilho vivo nunca fora tão intenso
Mas agora, diferente de outrora,
ele me preenche

c o m p l e t a

Estou, sim, 
estou aqui.
Bem aqui.