domingo, 28 de abril de 2013

Ímãs

Outro dia estava falando sobre os ímãs com as meninas. E parei para pensar neles. 
Por uma face, uma repulsa incrível: não grudam de jeito nenhum
Por outra, grudam de tal jeito que haaaaaja persistência para afastar.

Com algumas pessoas é desse jeito mesmo.

Uma raiva monstruosa! Indignação... Conseguem suscitar nossa PIOR face, em que só conseguimos repelir. Nem os mindinhos são capazes de se tocar.

Entretanto, alguma coisa nos atrai de tal jeito, que não conseguimos nos desgrudar.

Isso até parece doença!

Affff!!!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Todo... e suas partes

De vez em quando tenho um ideal de perfeição, do que é mais simples e belo e correto... Eu me lembro de ter lido em um livro, do W Heisenberg do princípio da incerteza... sobre Einstein... o simples e o belo e a natureza.
Ou, a natureza é bela e simples

É.. o que é. Sem porquês. Sem lógica conhecida ou óbvia.

Ora.. tem retina podre que não cola de jeito nenhum!
Não consigo fazer minha filha entender que não se deve deixar ninguém esperando por ela.
Existe gente que insiste em nos agredir, e não conseguimos entender de onde vem tanta raiva
... ou não há raiva nenhuma, e nem é intencional
Tem gente que simplesmente... não dá conta. Tem todas as ferramentas, mas não dá conta

Parece que a Natureza tem sua simplicidade que desafia a nossa capacidade de compreensão. A simplicidade exclusiva dela.

E eu... preciso parar com minha intransigência. Ou ainda, preciso aceitar que se trata de uma intransigência, inclusive aquela de não concordar com minha intransigência.

Não se trata de "me conformar"

Mas é tentar me abrir para a beleza da simplicidade do que escapa ao meu entendimento...

... é porque É

simplesmente, É.


domingo, 21 de abril de 2013

Lamento




Cada vez mais vamos colecionando estas fotografias...

De vez em quando, assim como a famosa madeleine de Proust, uma música, a temperatura do sol, o vento nos ouvidos, um aroma... acaba nos abrindo um portal em que nelas mergulhamos de novo.

E, arrebatador como um soco, nos invade de jeito tal... que tudo experienciamos de novo.

A intensidade das imagens, do som, das sensações, é outra... Sabemos sim ter ficado em alguma parte do tempo que não é o presente. Mas de algum modo, o aconchego e a dor do afeto retorna.

É como o som do cello, um lamento...

Como as coisas são difíceis... Por que amar não basta?

... é sempre a mesma conclusão. Que venho escrevendo por todos estes anos.

Amar não basta.
Foda.

sábado, 20 de abril de 2013

Solo craquelado

Eu sei que a visão se desenvolve nos primeiros anos de vida. Se passar disso, e o olho não for estimulado, já era. E o que estimula um olho? Uma imagem nítida.

A visão, e isto é um tema que particularmente muito me agrada, foi comparada ao saber, ao conhecimento deeeeeesde os pré-Socráticos. Portanto, desde que houve registro ou transmissão do conhecimento. O que se vê, existe. Afinal, é o nosso órgão do sentido mais poderoso ao se comparar com os outros seres vivos.

Mas o que percebo, com o passar dos anos.. é que a MESMA imagem não é coincidente de pessoa para pessoa. Por vezes, até para nós mesmos em momentos diversos. E isto tentando ser o mais objetivo possível, sem entrar nos meandros da arte, da subjetividade, do gosto...

De novo, sutilmente, nosso cérebro com a capacidade peculiar de tapar buracos.




Sim, tvez não somente a imagem nítida, como os nossos vícios cerebrais nos primeiros 5 anos de vida acabem por fundamentar algumas verdades com uma definição tal que, suspeitar delas chega a derrubar o chão em que pisamos.

Nem vou citar exemplos por aqui. Afinal, cada um tem sua lógica ou, sua forma, muito particular e por vezes intransferível.

Mas meu objetivo aqui é só salientar que nossa realidade é sim frágil. Que o nosso chão se mantém por um fio. E que a única coisa que nos conecta ao mundo, e cada vez mais acredito nisso, é o

AFETO!!!!!

nossa única verdade. Volátil. Mas é o que realiza a vida.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A fidelidade do amor

O mundo de hoje, "ubermoderno" anda esquisito...

Estamos, pouco a pouco, desestabilizando muitos trilhos que percorríamos sem pensar. Não basta mais escolher a carreira e @ parceir@ para definir como será o resto da vida, tal como nos contos de fada.

E isso traz uma tremenda insegurança...

O que se vê é um bando de gente circulando sozinho, mas fazendo os mesmos movimentos. Uma pseudoliberdade, encerrada na premissa do não-compromisso. Afinal, um compromisso sério NÃO existe (pq a traição é inerente à espécie humana), e se realmente houver disposição para isso, implica em privar-se da liberdade.

Deste modo, ou assume-se comprometido e confinado, ou solteiro e livre.

Como é difícil para um ser humano racional com os pés no chão, enjaular-se e enjaular o outro, opta-se pela solidão.

Mas sabe o que estava pensando? O erro é justamente este!!! Vincular a fidelidade ao compromisso, e não ao amor.

O amor sim, fideliza e cria trilhos em comum. Não o compromisso.
O amor traz a vontade de construir e partilhar. Não o compromisso.
É o amor que nos ilumina quando abrimos os olhos e enxergamos a pessoa certa ao nosso lado - e não há nada mais eternizante do que isso.

Minhas amigas dizem que passo tanta firmeza ao outro quanto uma gelatina rsrs.. Que não conseguem confiar em alguém tão serelepe...

Mas, veja, o fato de desacreditar no "compromisso" não quer dizer que não se acredita na força e na fidelidade que traz o amor. Este sim, se bem cuidado, pode ser eterno.

E basta!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Culpa e vergonha

Com o passar do tempo, queremos sempre mostrar uma face inabalável. Acho que isso vai com a profissão. Médico tem um pouco disso: precisa se colocar como esteio, como porto seguro... Minhas filhas vivem me chamando de "mãe-rata", como aquela mãe do filme da "Ponyo" que dirige no meio da tempestade.

Mas não é bem assim...

Acho que este post vai servir um pouco para eu começar a enfrentar meus fantasmas. O pior deles é a frustração profissional. Quando uma cirurgia não dá certo. Claro que fico remoendo: "e se eu tivesse feito isso, ou aquilo, ao invés do que fiz..." E isso duuuuraaaaa... Quanto mais grave o caso, maior a frequência dos retornos e, sempre que vejo o nome do paciente na agenda do dia, é aquela COISA!!

Alguns colegas destratam o paciente. Ignoram. Nem querem ver na frente. Não querem encarar a sensação de fracasso.

Eu... faço meu possível para acolher o paciente. Mas é como se eu acolhesse meu fracasso. Como se, a todo momento, fizesse questão de bem-tratar a cagada para me punir: "sua incompetente! Tá vendo a merda que fez? Vê se aprende!!!"

E isso ARRUINA meu dia. Uma tremenda tristeza, dá vontade de ficar na cama o dia todo e me esconder do mundo:

Culpa e vergonha.
Se o que nos paralisa é o medo e a preguiça, o que nos afunda é a culpa e a vergonha. Faltou essa para o Kant. Com certeza sobre isso escreveu, eu é que não tive a competência para encontrar.

Vamos tentar usar um pouco da sabedoria de Kant. Ora, para tentar levantar (ou afundar de vez!) não se pode ter nem medo nem preguiça de enfrentar a culpa e a vergonha de ter feito uma cagada.

Pacientes queridos (lembro-me de cada um... Agora a sra., D. Vera), desculpa pela cagada. Eu realmente tentei de tudo. Não sei se teria outra alternativa. Não sei se deixei de fazer algo. Talvez estivesse em melhores mãos se escolhesse outro médico...

Ou talvez, eu tenha sido a escolhida para ampará-la caso este momento difícil ocorresse...

Sim, bola pra frente! Vem chão por ai! Estou por aqui...

Estou por aqui, sempre.

sábado, 13 de abril de 2013

Conexão Absurda - O Caminho da Bolinha

Lembro-me que esperava sempre pelos quadrinhos da Turma da Mônica.. Mensal, tvez (naquela época, a sensação de tempo era incrivelmente diferente da atual).

Não era sempre que havia uma historinha do Louco. Mas quando havia... eu deixava pro final. Eu ficava intrigada. Alguma coisa me perturbava, e por isso gostava tanto.

Havia um joguinho tbém, nem me recordo o nome, acho que era "Ratoeira". Eu sei que eu montava uma sequência em que a bolinha ia passando por lugares absurdos, até que uma velhinha mergulhava em uma banheira, e "trap"! Rato pego.

Lembrou-me o início desta animação..



Esta sequência, assim como o quadrinho do "Louco", e como do joguinho da "Ratoeira", fascinam-me pelo mesmo motivo: o caminho da bolinha...

Ora, vamos tentar explicar.

As conexões!

Sempre procuramos o sentido das coisas. O "pra que serve?" ou "a moral da história" ou até.. o porquê das coisas.
Mas, sabe, por vezes as conexões não fazem sentido algum!!!!
-não serve para nada
-não há moral alguma
A gente tem a impressão de que saiu como entrou: com um enorme ponto de interrogação na testa que continua no vazio, sem nos preencher. No vácuo. No absurdo. No espaço zero...

O que perturba é que existe sim algo de belo.

Justamente a conexão é que faz todo o sentido no absurdo do vazio das coisas!

Acho que hj colei nas asas. Mas o problema é que acho que não são bem elas que me fazem voar...