segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A chave para o entendimento

Resolvi experimentar Steven Pinker, um psicólogo que estuda a linguagem: "do que é feito o pensamento", e lembro-me de invariavelmente perguntar às pessoas que cruzam o meu caminho, se pensam por palavras ou por imagens...
Costumava montar meu raciocínio por imagens
Metáforas
Gráficos
Esquemas

Agora, percebo que preciso da escrita. O pensamento se faz na escrita. Depois que leio, nem me reconheço!

O modo pelo qual as pessoas se expressam, reflete o modo pelo qual entendem e interpretam determinado fato ou tópico. E o que cada um capta para montar sua cadeia interpretativa, depende, por mais imparcial que seja, do afeto. Até filósofos da linguagem, como Frege, Russell, esquisitos de tão exatos, como percebe-se em "logicomix", escorregam no afeto em algum detalhe.

Como neste incidente da boate em santa maria. Todos doidinhos para responsabilizar a casa. Mas um incidente desses envolve mais
O recinto era próprio ou alugado?
A quem se destina o seguro?
O seguro abrange vidas, ou só o estabelecimento?
E o show pirotécnico? Estava no contrato? Responsabiliza-se quem idealizou a concepção do show?
Houve falha no sinalizador, tipo, foi mal fabricado a ponto de deixar escapar uma faísca?

Parece até uma heresia falar disso tudo, e da grana que o dono receberá do seguro, dado que ele foi o principal responsável pela morte de mais de 200 pessoas, a maioria entre 16 e 20 anos.

Mas são ítens que não deixam de existir. Escolhe-se carregar de afeto quaisquer destes ítens.

Bom, mas este redemoinho todo para quê?

Para tentar entender como é possível contar um fato de inúmeros modos. Tantos que por vezes desconfiamos que se trate realmente de um único fato. E isto posto, é a melhor chave para a tolerância e o entendimento. O que nos parece absurdo, pode ser perfeitamente lógico para o outro. Como Dr. Shultz de Django - sensacional!!!

Perdoar e ficar zen com a filhadaputagem de outro, não é legítimo SE esta chave não estiver posta. 
Fica forçado.
Artificial.
Sem afeto.
Ilegítimo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

trem das cores

Onde estará?

Sonhei contigo esta noite. Ao chegar pertinho de vc, eu me senti em casa, sabe?


Essa música exala tudo que sempre vivi naquele momento em que nada tinha e com tudo sonhava

Puro sonho...

Nele, vc caminhava devagarinho naqueles trilhos sem fim, um caminho tortuoso feito o da Dorothy com o Mágico de Oz. Estava láaaaa longe, um pontinho. E eu, desenhando as cores e os sabores daquela estrada totalmente descompromissada...

Sabe, não havia nada a perder... Então, não havia medo. Estar naquela estrada era uma opção. E incrivelmente, só havia nós 2 por lá. Ninguém mais. Isso pq era lá que estava tudo , mas tudo que queríamos.

Assim, só poderíamos ser muito, muito parecidos...

Eu enxergava o que vc via
Vc saboreava o meu tempero
e para o resto... um "foda-se".

Não sei onde se esconde... E talvez estivesse escondidinha de vc neste tempo todo, esperando este momento em que nada, mas nada mais procuro.

Não sei mais sua feição... nem seu corpo... muito menos teu jeitinho
mas assim que te vir, saberemos!

Com certeza, saberemos ;)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

E se...


"Devemos nos libertar desse conservadorismo cultural, tal como devemos nos libertar do conservadorismo político. Devemos desmascarar nossos rituais e fazê-los aparecer como são: coisas puramente arbitrárias, ligadas ao nosso modo de vida burguês. É bom - e isso é o verdadeiro teatro - transcendê-los através do modo do jogo, através de um modo lúdico e irônico; é bom ser sujo e barbudo, ter cabelos compridos, parecer uma moça quando se é um rapaz (e vice-versa). É preciso pôr em "cena", exibir, transformar e derrubar os sistemas que nos ordenam pacificamente".

M. Foucault, Estratégia poder-saber, Ditos e Escritos


E se passássemos o Reveillon de vermelho? Ou preto? 
E se o dia das mães fosse aquele dia inespecífico em que temos vontade de passar o dia inteiro com nossa mãe?
Dia das crianças com vontade de pirulito e montanha russa?

Casamento como instante de compromisso de alma, de enlaçar os dedos e andar de mãos dadas pelo parque, sem promessas de eternidade ou necessidade do felizes para sempre?

Trabalhar de regata e short por conta do calor...

Andar de havaianas, já que descalça não consigo...

A forma que nos enforma e sufoca... para que? Para mimetizar? Para dissolver entre os olhares perdidos e opacos...

A mesma forma que nos diferencia e nos opõe, que nos distancia, que nos impede que simplesmente encontremos nossos olhares. Aquele difícil olhar que nos despe e nos encara como realmente somos:

nus
chatos
maus
fedidos
pura impureza....

sim, a mais pura e sincera

eSsêNCia.







domingo, 23 de dezembro de 2012

Dica

Estava pensando na música do chico sobre um copo pela metade cheio ou vazio.
Quando a porta do estabelecimento está entreaberta - fecha ou abre?

Percebo como estão os relacionamentos nestes tempos líquidos. A porta, no máximo entreaberta. E, no mínimo, entreaberta. O que é capaz de mantê-la assim, escapando de sua tendência?

De novo, Kant está certo: o medo ou a preguiça.

Sim, às vezes o que está por ser conhecido é tão diverso, mexerá tanto com a pseudo-estabilidade da rotina, que dá preguiça de tudo mudar. E medo de, depois de mudado, ter que reestruturar se tudo mudar novamente.

As ofertas são tão grandes, o leque amplo de pessoas, que pensamos: "ah, melhor partir para outra. Tanta gente para se conhecer... Vai existir um que encaixe direitinho e não dê trabalho"

Pode ser sim um estilo de vida. Estilo este que endeusa o parceiro, de tal modo que seja exatamente como deseja: o que nos completa ou o que coincide conosco, mantendo a rotina como sempre foi. Não dá trabalho, não requer esforço e se escapar, nada terá que reestruturar. E vamos pulando de galho em galho, nos divertindo enquanto dura, e dando um "foda-se, eu não preciso dele mesmo..."

pausa para refletir...

Acho que agora me percebo uma obstinada. Gosto de ir até o fim. Mesmo um filme ruim, gosto de ver como termina.
Eu gostaria sim que me procurasse e que apostássemos nesta porta entreaberta. Sou preguicenta, mas medo, definitivamente não tenho. Nem de portas fechadas e nem de portas escancaradas.

Estou te esperando!

=)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Click


apagou
virou pó
a brisa levou...

nenhum sinal do que foi!!!!

só as palavras  dEScOlaDas dE Mim.
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sábado, 15 de dezembro de 2012

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lullaby

Sabe aqueles momentos em que parece que as coisas estão por um fio?
Quando escapamos do nosso corpo e tanto faz se ele está ou não no mundo...

A realidade é tão adversa, tão esquisita, que vc já não está lá. Parece que não há saída, só se descolarmos do corpo e deixá-lo se virar.

Eu não sei porque, mas nestes momentos nos encontramos.




Vou te confessar: eu também não tenho a menor idéia do que fazer!!! Eu também fico perdidinha. Fico sem rumo. Amedrontada sim.
Dá vontade de te oferecer meu corpo para acolher tua alma perdida...

Mas talvez... isso seja o melhor que tenho a fazer mesmo. E só.

"Vai dar tuuuuudo certo =)"

=)