quinta-feira, 31 de março de 2011

P.O.I. - Pós imediato


"Vc, quem é, não sei. Onde está, se está. Agora, sem medo, me abro para te receber. Do jeito que estou, desse jeito de não ter a mínima idéia sobre o meu ser. De só ter a vontade de experimentar teu gosto, calor, textura... Quero me afundar por teus cachos e me perder nos teus giros cerebrais. A cada axônio, um choque... uma luz. Pegar carona neste potencial de ação e percorrer teu pensamento, teu sentimento, teu arrepio. Perceber as nuances da sua ex-sistência, suspeitar da sua in-sistência. Fico de espectadora, tento me manter inexpectante. O que vier, será de bom tom. E se deixar de vir, também foi bom. Procuro me manter... inexpectante. Espectadora." 

quinta-feira, 24 de março de 2011

"E aqui estou no meio da noite, sem muita fanfarra, em uma casa escura, em algum lugar do mundo, com meus braços ao redor dos teus e os teus braços ao meu redor. Não sei como é meu amor, nem como descrevê-lo. Na maior parte do tempo não consigo senti-lo. 


Mas se insistirmos nesta tecla, nosso amor vai se evaporar..."

Cenas de um casamento
Ingmar Bergman, 1972

quinta-feira, 17 de março de 2011

Transição

E se a gente gosta da brincadeira?
Tudo é levado por prazer... 
Fico pq gosto, vou pq quero, volto pq amanhã tem mais...
Bom demais, leve, danço com a onda!


Aí chega um momento
em que a situação nos exige
conta conosco


Aquilo nos puxa!
Não somos nós que vamos!


E para sair?
Para cortar a corda sem ferir?


Queria sumir
e renascer em outro lugar!

terça-feira, 15 de março de 2011

Para as causas impossíveis... ou só difíceis



Não há nada externo que possa abalar o que sinto sobre isso. Se houvesse, dificilmente estaria por aqui. Maior ameaça seria a ressaca moral que por vezes me cutuca. Aquilo que nos colocam como certo ou errado. O que nos ensinaram que funciona e o que já nos negaram por não funcionar. É o medo de virar armadilha da pureza e da delicadeza do que acreditamos. Pq o que é puro e delicado, sublime, às vezes não consegue escapar do sonho, do absurdo.

Pode não parecer, mas vivo lutando para nos manter assim, fortes. Para me afastar dessa armadilha moral e nos trazer para a (cada vez mais) minha verdade. 

Só uma paixão como esta que estamos vivendo, para raros e curiosos, que se nutre do abismo próprio e do outro, sobrevive ao nosso maior inimigo - nós mesmos. E é capaz de recolocar o sonho como verdade e a realidade como absurda.

Como excluir uma suspeita? Ou, como negar um sonho absurdo? Tudo faz parte, inclusive o avesso. Mas cada vez mais aprendo a encontrar a verdade no que há de mais Belo, Bom e Justo

tô bem platônica mesmo...


"- Sabes que os olhos quando se voltam para objetos cujas cores já não são mantidas pela luz do dia, mas pelos clarões noturnos, vêem mal e parecem quase cegos, como se não tivessem uma visão clara.
- Exatamente
- Mas, quando se voltam para os que são iluminados pelo Sol, acho que vêem nitidamente e torna-se evidente que esses mesmos olhos têm uma visão clara.
- Sem dúvida.
- Portanto, relativamente à alma, reflete assim: quando ela se fixa num objeto iluminado pela verdade e pelo Ser, compreende-o, conhece-o e parece inteligente; porém, quando se fixa num objeto ao qual se misturam as trevas, o que nasce e morre, só sabe ter opiniões, vê mal, alterando o seu parecer de alto a baixo, e parece já não ter inteligência.
- Parece, realmente.
- Fica sabendo que o que transmite a verdade aos objetos cognoscíveis e dá ao sujeito que conhece esse poder é a Idéia do Bem (...)"
A República - Platão 508d

Para os antigos, a felicidade ou o Sumo Bem aristotélico, é consequência do exercício da virtude.

"A virtude é tão necessária aos nossos corações que, uma vez abandonada a verdadeira, fazemos uma a nosso modo, e a ela nos ligamos talvez até mais fortemente, porque é da nossa escolha" - J.-J. Rousseau

"A virtude tem isso de feliz: basta-se a si mesma e dispensa os admiradores, partidários e protetores. La Bruyère"



sexta-feira, 11 de março de 2011

Simplicidade

"A gente se gosta pq tudo é tão simples que os dois ficam é bobos de ver como algo tão simples pode cativar os dois." 


... e então eles se conheceram, se apaixonaram, e sem perceber, falavam-se todos os dias, viam-se quase todos os dias, dali a pouco um estava dormindo na casa do outro, em pouco tempo dividiam 2 casas. E... foram infinitamente felizes em cada instante vivido.


Se não rola desse jeito, é pq não tem como rolar. Porque ele(a) não está tão afim. Não adianta tentar explicar, retrucar, espernear... encostar na parede... bolar estratégias... divagar...
Esqueça!
Vire a página!
Tenha a certeza de que este mundo é enooorme! E cheio de gente muito legal!

Não vai se arrepender.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trans

Rainy day sings and says
you want me under the duvet
It´s 55 degrees, almost hot
Water spots crash the window
as a widow, I cry for you


Escuto a melodia do vento
atento às gotas que brilham na janela
Faz 18 graus, quase frio
Espio a chuva sob o edredom com
o som do teu pranto tão próximo


2 horas e 5 graus
transoceânicos
2 hours and 9,4 degrees
online inside
Parestésica, sinestésica, sinérgica
Feel like me
Te sinto em mim

sábado, 19 de fevereiro de 2011

(Des)igualdade: verdade

E ele precisava provar uma desigualdade...

Como assim "desigualdade"? Qual "igualdade" temos neste mundo real? Mais ainda, o que garante uma igualdade?

Isso passa a nos perturbar demais quando nos referimos a uma interpretação sobre a dita "realidade", referindo-nos como real, o verdadeiro. Neste caso, a Natureza real é a verdade. E a igualdade segura, beeem distante da temida "ilusão", a verdadeira interpretação da realidade.

Acontece, meu caro, que o instante real é o momento presente. E a interpretação deste, para ser "igual", precisa se referir a tudo que influencia AQUELE instante. No momento em que formulamos a nossa interpretação, o momento passou... mudou... já era.

Instaura-se assim um desconforto. Então, como garantir uma interpretação verdadeira, ou, uma interpretação IGUAL à realidade?

Vamos mudar?

E se partíssemos do pressuposto de que não há uma verdade estática e única? E se partíssemos do pressuposto da própria Natureza que se constrói à partir do acaso, do "erro"? Novos conceitos à partir das mudanças, do acaso, e não da verdade estática.

Novos conceitos

Nova verdade

Desigual

...

Perturba?

Talvez seja esta a intenção. A certeza da desigualdade. A certeza de que estamos falando de uma verdade que já se transformou, o tempo anda...

Deste modo, dá vontade de radicalizar para nos fiar nesta nova "certeza". Nada é aquilo que pensamos ser!

Respira fundo...

calma...

Talvez a solução seja acolher, sem ressalvas ou preconceitos, tudo o que chega

Metabolizar

E suspeitar!