Alimento-me do desejo alheio
Prossigo na rede
no meu labirinto
Flúida, úmida, avanço
com a força de uma enxurrada
Capto a fome
dela me alimento
Abocanho...
Lambuzo
Engulo
Torna-se-me passagem
e prosseguimos
descolados da alma
Pascal: "Les hommes sont si nécessairement fous que ce serait être fou par un autre tour de folie de n’être pas fou’. (...) Il faut faire l’histoire de cet autre tour de folie, de cet autre tour par lequel les hommes, dans le geste de raison souveraine qui enferme leur voisin, communiquent et se reconnaissent à travers le langage sans merci de la nonfolie...”
domingo, 31 de janeiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Teu sangue
Teu sangue evaporou do ringue, subiu feito bruma; peso pluma, ele voou. Resto de pensamento desfeito, fico a escutar você socando no peito, muito depois da tua partida. Tua voz ainda fantasia e se despe, sem saliva, sem língua, sem sal. Nós desatados, os dois sentados, luvas lentas escapadas, fios enlutados, 30 jardas a parte. Olho pro emborrachado, lutaremos até que finde o dia, até que afinem os ossos, últimos dentes.
Kombat
combate de bananas
no ringue 2 sacanas
um mole, o outro coxo
pra cada um, olho roxo
mosca volante
vislumbrou
no ringue 2 sacanas
um mole, o outro coxo
pra cada um, olho roxo
mosca volante
vislumbrou
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Vício
1 - RESSACA
o corpo leve
acolchoado patchwork
de imagens frias e quentes
amorfa, desconexa
2- LEMBRANÇA
as marcas no corpo
inevitável classificação
de gestos e expressões
na escala do prazer
3 - SAUDADE
as marcas na alma
classificação acolchoada
pelo desejo
a turvilinea entre
sonho e vigília
4 - FOME
força eletromagnética
do rombo no baixo ventre,
buraco negro em potencial
uma dor física
5 - TERAPÊUTICA
tarefas diárias
um dia de cada vez...
o corpo leve
acolchoado patchwork
de imagens frias e quentes
amorfa, desconexa
2- LEMBRANÇA
as marcas no corpo
inevitável classificação
de gestos e expressões
na escala do prazer
3 - SAUDADE
as marcas na alma
classificação acolchoada
pelo desejo
a turvilinea entre
sonho e vigília
4 - FOME
força eletromagnética
do rombo no baixo ventre,
buraco negro em potencial
uma dor física
5 - TERAPÊUTICA
tarefas diárias
um dia de cada vez...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Tênis de primeira
"Do you know when to walk away?
Do you know when not to take less than you deserve,
if you do, then you´re an honorable man"
Do you know when not to take less than you deserve,
if you do, then you´re an honorable man"
Ano passado fui ao paraíso do consumo e, como todos, comprei um tênis MARAVILHOSO! Para pés neutro-supinadores, sistema de amarração bacana, amortecimento adequado na entressola, farol de milha, freio ABS, air bag duplo, roda de liga l... Além de tudo brilhante! Ocupou um lugar considerável na bagagem de mão - vai que minha mala extravia! - mas valeu a pena.
O cuidado com meu tênis novo era tanto que não tinha coragem de usá-lo: não queria instigar a cobiça alheia - com certeza o levariam de mim. Corria então com o tênis velho, cadarço desfiado, sujo de terra... esse, nem eu queria!
Até que, num surto psicótico rousseauniano, encarei o mundo como o da igualdade humana pré-social (sem inveja nem cobiça), e saí com meu tênis novo! Nunca corri tão bem, voava no parque.
Com o espanto, o encanto...
Pelo medo da perda, nos submetemos a cada coisa...Tênis velho, relacionamento apagado, trabalho chato, vida sem sentido.
Será que esta vida de segunda classe resulta do medo de perder o que se tem?
.......Ou da preguiça de encarar o risco inerente ao prazer - não ser capaz de sustentá-lo?
..............Qual seria o risco de não ser capaz de sustentar o prazer?
Não dá para saber... No máximo, voltar para onde se está (no tênis velho, na vida de segunda).
Esta volta toda para perceber o medo ou preguiça de cair na desgraça de... continuar na mesma!
Aí fica fácil, só tem uma solução: viver de primeira classe
............e correr com um power tênis!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Tosca... tosca... tosca
Sometimes I think that you don't exist
But sometimes I think that you're my sin
Some say that I'm fool
But poor my soul without you
Somehow I feel that you're my home
How sould I, if Ican't feel your heart
Somewhere we'll meet again
Where, if we don't find the way
Sometimes I want to runaway with you
But I'm afraid I can ruin all over again
Sometimes I want to forget you
But how, if you're in my soul
Sometimes I think that I've always been looking for you
But sometimes I think that you're nothing more than poetry
So I feel you
.....I touch you
.....I hate you
.....I love you
... nothing more than sometimes
But sometimes I think that you're my sin
Some say that I'm fool
But poor my soul without you
Somehow I feel that you're my home
How sould I, if Ican't feel your heart
Somewhere we'll meet again
Where, if we don't find the way
Sometimes I want to runaway with you
But I'm afraid I can ruin all over again
Sometimes I want to forget you
But how, if you're in my soul
Sometimes I think that I've always been looking for you
But sometimes I think that you're nothing more than poetry
So I feel you
.....I touch you
.....I hate you
.....I love you
... nothing more than sometimes
sábado, 23 de janeiro de 2010
Ressaca
Resseca mucosas
Disseca veias
Decepa a alma,
e septa a memória
recente
Monto tua boca no corpo dos cachos do sorriso de braços que apertam meu corpo que insiste em te procurar...
... e passa
Teu gosto?
Passou.
Disseca veias
Decepa a alma,
e septa a memória
recente
Monto tua boca no corpo dos cachos do sorriso de braços que apertam meu corpo que insiste em te procurar...
... e passa
Teu gosto?
Passou.
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