Agora corre nas minhas veias,
nas minh'ocas pensantes,
aquece minhas vísceras
e esvaio-me pelas pernas.
Como aquela peça do quebra-cabeças de cor e desenho diverso que encaixa direitinho ao meu lado, desliza que nem percebo, e compõe meu lar
Nos meus sonhos, são teus os (a)braços dos deuses
meu tempo mais vibrante é o teu
teu semblante, a mais nítida e constante imagem
E a tua ausência... nem imagino!
Pascal: "Les hommes sont si nécessairement fous que ce serait être fou par un autre tour de folie de n’être pas fou’. (...) Il faut faire l’histoire de cet autre tour de folie, de cet autre tour par lequel les hommes, dans le geste de raison souveraine qui enferme leur voisin, communiquent et se reconnaissent à travers le langage sans merci de la nonfolie...”
quinta-feira, 9 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Fincar o presente
Stop all the clocks, cut off the telephone.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.
O mundo acabando,
podem ficar tranquilos.
Acaba voltando
tudo aquilo.
Reconstruam tudo
segundo a planta dos meus versos.
Vento, eu disse como.
Nuvem, eu disse quando.
Sol, casa. rua,
reinos, ruínas, anos,
disse como éramos.
Amor, eu disse como.
E como era mesmo?
A única certeza que temos é que todos morrem. Ninguém escapa. Será que é por isso que fica tão difícil pensar no fim?
É como uma sombra, assombra qualquer momento.
Não conseguimos ignorá-lo
Escondê-lo
Desviar...
Não há como justapor o presente existente e o futuro fim. Por que insistimos nisso?
O contraste entre o presente (vivo e intenso), e o fim, é abrupto. A dor, infundada e inevitável, é arrebatadora. Funeral Blues.
É preciso fincar o presente. Afinal, o passado perde a importância por conta do esquecimento e o preenchimento das lacunas com falsas suposições. E o futuro... jogamos com as probabilidades, e isso (nas ciências da vida) diverge muito do real, por maior e mais exata que seja a aproximação. Também perde a importância.
O medo, a raiva, a ansiedade, é que transformam passado e futuro em importância e conteúdo.
O fim está posto. Que saia das sombras e se localize em suas devidas coordenadas. Aquelas que chegam depois de tudo... no fim. Ponto que torna Tudo, passado.
E o passado - como era mesmo?
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.
W. H. Auden - Funeral Blues
podem ficar tranquilos.
Acaba voltando
tudo aquilo.
Reconstruam tudo
segundo a planta dos meus versos.
Vento, eu disse como.
Nuvem, eu disse quando.
Sol, casa. rua,
reinos, ruínas, anos,
disse como éramos.
Amor, eu disse como.
E como era mesmo?
P. Leminski - Segundo Consta
A única certeza que temos é que todos morrem. Ninguém escapa. Será que é por isso que fica tão difícil pensar no fim?
É como uma sombra, assombra qualquer momento.
Não conseguimos ignorá-lo
Escondê-lo
Desviar...
Não há como justapor o presente existente e o futuro fim. Por que insistimos nisso?
O contraste entre o presente (vivo e intenso), e o fim, é abrupto. A dor, infundada e inevitável, é arrebatadora. Funeral Blues.
É preciso fincar o presente. Afinal, o passado perde a importância por conta do esquecimento e o preenchimento das lacunas com falsas suposições. E o futuro... jogamos com as probabilidades, e isso (nas ciências da vida) diverge muito do real, por maior e mais exata que seja a aproximação. Também perde a importância.
O medo, a raiva, a ansiedade, é que transformam passado e futuro em importância e conteúdo.
O fim está posto. Que saia das sombras e se localize em suas devidas coordenadas. Aquelas que chegam depois de tudo... no fim. Ponto que torna Tudo, passado.
E o passado - como era mesmo?
terça-feira, 24 de maio de 2011
The world is round
E quando nos damos conta de que
- a instituição é um ópio?
- a ciência é uma religião?
- e o amor não basta...
condenados à liberdade,
estamos condenados à solidão
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folie
segunda-feira, 16 de maio de 2011
entre o céu... e o infinito
... da filha supralunar, 9 anos
- Sabe qual é o meio do infinito? O número zero!
pensativa...
- Mas se o infinito estiver num círculo... aí não tem meio =/
- Sabe qual é o meio do infinito? O número zero!
pensativa...
- Mas se o infinito estiver num círculo... aí não tem meio =/
domingo, 8 de maio de 2011
Dia das mães
Estive pensando nessa história de filhos. Aliás, já é uma coisa que tem me intrigado.
Não acredito nessa balela de ter vontade de ter filhos para perpetuar os genes, ou escolher o parceiro com genótipo legal para formar filhos bacanas... Essa do relógio biológico da mulher, tá certo, mas acho que é pelo ideal de formar uma família mesmo. O que na teoria se diz que o sujeito (só ele) forma a família, é ideal, lindo, mas na prática... não rola. Se todo mundo tem família, se a gente vem de uma família, dá uma paúra de ficar sozinho.
Este é o motivo torto para ter filhos. Motivo de seguir a boiada, o avesso é o medo de ficar sozinha.
E existe a outra vontade de ter filhos. Talvez, na minha opinião, a mais pura no sentido do belo/bom/justo. Surge da paixão. Do medo de que termine (e a gente sabe que termina). Não é exatamente a vontade de ver o fruto do amor, mas sim uma "garantia" de que não termine, uma algema - e que a gente sabe que não presta, pq qdo termina de fato, a gente nem sofre, mingua mesmo. E, segundo consta, essa vontade não é só feminina! O cara tbém fica louco para ter filhos.
A vontade de amor eterno é o motivo quase justo para ter filhos. O avesso, é o medo de perder a pessoa amada.
Acabamos observando homens dos dois tipos - apaixonados ou assustados com a mulher grávida. Depois que o bebê nasce, é outro papo - aí já tem o encanto da criança, outro viés.
E... o que se passa entre uma mãe e um filho
... nem Freud deu conta de explicar!!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
navalha
As cores e as dores
dos amores partidos
aqui e ali
tecem um véu
translúcido
Tateio e não vejo
Falo e mal escuto
Abafa-se a textura da pele
a doçura da voz
a alma das palavras
De repente
perde-se um ponto
o tecido esgarça
E uma luz, tímida
ameaça surgir
Por vezes, despercebida,
volta de ré`
Por vezes, encanta
Teu canto invade
o pensamento,
um alento
no branco
Tens permissão para
pouco a pouco
divulsionar-me
Suscita o mel
que me preenche
e te acaricio
Penetra
Vigoroso
Despetala, "estacato"
cada fábula sedimentada
Desnuda-me
Desvelo-te
dos amores partidos
aqui e ali
tecem um véu
translúcido
Tateio e não vejo
Falo e mal escuto
Abafa-se a textura da pele
a doçura da voz
a alma das palavras
De repente
perde-se um ponto
o tecido esgarça
E uma luz, tímida
ameaça surgir
Por vezes, despercebida,
volta de ré`
Por vezes, encanta
Teu canto invade
o pensamento,
um alento
no branco
Tens permissão para
pouco a pouco
divulsionar-me
Suscita o mel
que me preenche
e te acaricio
Penetra
Vigoroso
Despetala, "estacato"
cada fábula sedimentada
Desnuda-me
Desvelo-te
Nus
Nous
Crus
domingo, 1 de maio de 2011
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