Sempre aparece galante
Por vezes cheio de medos
Outras, arrogante - como escudo
Aí vem cheio de histórias
Depois, divaga nas poucas histórias
Tem o carregado de certezas
E o que pesquisa incertezas
Gosto quando tem um brilho no olhar
Divirto-me quando o perde e nem faz questão de achar
Tem o que ferve
quando me faz derreter
E o que estremece
quando deixo arder
Aparece quando menos espero
E se vai quando mais o quero
Mas é assim que te quero:
...l ..i ..v ..r ..e
E assim te espero:
...l ..i ..v ..r ..e
... como não amar quem
irresistivelmente e
irremediavelmente
sempre volta...
Pascal: "Les hommes sont si nécessairement fous que ce serait être fou par un autre tour de folie de n’être pas fou’. (...) Il faut faire l’histoire de cet autre tour de folie, de cet autre tour par lequel les hommes, dans le geste de raison souveraine qui enferme leur voisin, communiquent et se reconnaissent à travers le langage sans merci de la nonfolie...”
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Trapaça
Passa o passo
Descompasso
do amasso
Chega e eu vou
Vai e volto
A vontade fica
e sinuca a saudade
Sem espaço
perco o passo
e me desfaço
no teu laço
Descompasso
do amasso
Chega e eu vou
Vai e volto
A vontade fica
e sinuca a saudade
Sem espaço
perco o passo
e me desfaço
no teu laço
domingo, 10 de janeiro de 2010
Portal dimensional
"O Mundo da criação e do amor significa: volta ao país natal, entrada no paraíso; e a impossibilidade de criar, ou do amor morto, é, ao contrário, um exílio onde os deuses nos abandonam" Lou Andreas-Salomé
"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe" Rilke
A gente se via e nem se notava. Não havia coincidências. Eu te encontrava na fila daquele banco porque ele era próximo do hospital. No elevador porque era hora do almoço e trabalhávamos no mesmo prédio. E o cinema? Os mesmos gostos, como não encontrar?
Aquele dia amanheceu como qualquer outro. O cheiro do café era o mesmo, a hora do relógio do microondas, a mesma. Na sala de reuniões, as pessoas sentadas nos mesmos lugares: o que brincava com a caneta entre os dedos, o que ficava descalço, a que chorava pelo canto dos olhos... A mesma cena de ontem e de amanhã: mais um previsível dia no tempo circular, em carrossel.
Entretanto... Leio "Sr. José" na tela do palestrante. Ao mesmo tempo, meu olhar se atrai para o teu livro de capa cinza com a figura da escadaria do Escher - "Todos os nomes". Aquele livro que bloqueou Saramago do meu repertório - não passei das primeiras páginas! Nunca mais peguei um Saramago nas mãos. Fiquei intrigada... No meu olhar míope, o livro aparecia incrivelmente nítido!
Intervalo e te abordo: o que te encanta nesse livro? Começa a falar... os olhos voam e brilham! Mergulho no som, no tom, ganho uma pontinha do teu universo de vibração tal que escapava pela tangente do carrossel que estávamos ocupando. Éramos muito mais:
....aroma adocicado
..........cores vivas e quentes,
.......um som translúcido que embriaga e nos faz
............................l ................t........rr.
................................e...v...i.......a
Nesta dimensão o calor é insuportável. A taquicardia e a respiração ofegante só potenciam o rubor cutâneo. Instintivamente, procuro a suavidade refrescante dos teus lábios enquanto teus braços me fagocitam. Vamos num crescente... mezzo forte... fortissimo... nos livramos dos tecidos, tamanha a temperatura corpórea. Teu toque me arrepia, sinto um fiozinho gelado descendo pelas costas que irradia para o baixo ventre. Frio e quente se misturam no mel úmido que me encharca. Ávida, te fagocito... Na cadência do desejo, seguimos nosso andamento e dinâmica com perfeição, até sentirmos um apeeerto que expulsa nossos flúidos e sentidos que salpicam na nossa vibração. Deste modo, com os sentidos em espaço extra-corpóreo, presenciamos todas as faces do nosso ser.
Agora rallentando... piano... tentamos manter a penumbra que atiça a curiosidade pelo mundo e nos permite acolher a vida como ela pode ser: repleta de aromas coloridos, sons translúcidos e sabor áspero que desliza sobre a brisa...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Keep walking
Ryan Larkin - "Walking"Caminho. Pé ante pé. Lépida e silenciosa nos tons pastéis. Pesada e lenta em escala cinzenta. Vibrante em cores raivosas... alegres... fortes! E meu olhar capta as imagens carregadas de informações sinestésicas no mesmo andamento: largo, allegro, vivace, presto! As expressões corpóreas e faciais, sempre intensas, porém de tempos diferentes. Pessoas de tempos diferentes:
gente-retrato,
..........-animação,
..........gente-delineada,
....................-borrão,
....................gente que vem e some,
...............................que vem e vai,
...............................que vem e fica,
.............................gente por quem a gente passa e nem percebe...
............................................Gente................... dança
..............................................................que ................. !
Tempos diversos, matizes distintas. Eu só posso dizer que não tenho mais escolha: caminho na direção e sentido da cor vibrante, que dança no rítmo das batidas do meu coração.
Os retratos de cor pastel, sépia ou em escala cinza ficam guardados em algum lugar do tempo. Quem sabe, com o tempo, voltem a florescer...
gente-retrato,
..........-animação,
..........gente-delineada,
....................-borrão,
....................gente que vem e some,
...............................que vem e vai,
...............................que vem e fica,
.............................gente por quem a gente passa e nem percebe...
............................................Gente................... dança
..............................................................que ................. !
Tempos diversos, matizes distintas. Eu só posso dizer que não tenho mais escolha: caminho na direção e sentido da cor vibrante, que dança no rítmo das batidas do meu coração.
Os retratos de cor pastel, sépia ou em escala cinza ficam guardados em algum lugar do tempo. Quem sabe, com o tempo, voltem a florescer...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Natal, um falecido e o DIU
Nestes "papos programados" das festas de fim de ano, quer coisa melhor que um marido morto? Quando as mulheres começam a falar sobre o marido, assunto sobre o falecido não falta. Se as solteiras papeiam sobre o homem que aspiram, ninguém melhor que o falecido como exemplo. Tudo o que deu errado ou certo, culpa do marido morto. Tudo o que deseja e não consegue obter já está preenchido pelo passado. A vida em paralelo. A vida virtual. E o melhor, não se precisa vivenciar as agruras de um casamento... O marido morto é um escudo para a (auto) piedade alheia. Justifica e permite o estado da alma solitária.
E se a saúde não vai bem? A agressão ao corpo? Nada melhor que um DIU (dispositivo intra-uterino). Melhor que a TPM mensal, o DIU é permanente - 5 anos!!! Infecção urinária? DIU. Corrimento? DIU. Odor pútrido? DIU. Quer dar mas é melhor fazer um doce? DIU. Não quer dar? DIU. E n l o u q u e c e u - simplesmente quer dar! DIU. Engorda? DIU. Tropeçou? DIU. Choveu? DIU! O DIU é uma justificativa para qualquer alteração física incompatível com o ideal feminino de perfectibilidade. Justifica e permite o estado do corpo vulnerável.
Muito bem, caríssimos. Meu ex-marido está bem vivo e é bem bacana, não convém fazê-lo nem de vilão, muito menos herói. Tirei meu DIU. O que resta? Um corpo vulnerável e uma alma solitária. Ou seria um corpo solitário e uma alma vulnerável?
Bah, só uma mulher, com a "falta lacaniana" que lhe é companheira fiel, para gastar tantos ATPs para justificar o injustificável nestas malditas festas comemorativas. Da próxima vez, venho homem: um carro pro corpo e um time de futebol para a alma. E basta!
E se a saúde não vai bem? A agressão ao corpo? Nada melhor que um DIU (dispositivo intra-uterino). Melhor que a TPM mensal, o DIU é permanente - 5 anos!!! Infecção urinária? DIU. Corrimento? DIU. Odor pútrido? DIU. Quer dar mas é melhor fazer um doce? DIU. Não quer dar? DIU. E n l o u q u e c e u - simplesmente quer dar! DIU. Engorda? DIU. Tropeçou? DIU. Choveu? DIU! O DIU é uma justificativa para qualquer alteração física incompatível com o ideal feminino de perfectibilidade. Justifica e permite o estado do corpo vulnerável.
Muito bem, caríssimos. Meu ex-marido está bem vivo e é bem bacana, não convém fazê-lo nem de vilão, muito menos herói. Tirei meu DIU. O que resta? Um corpo vulnerável e uma alma solitária. Ou seria um corpo solitário e uma alma vulnerável?
Bah, só uma mulher, com a "falta lacaniana" que lhe é companheira fiel, para gastar tantos ATPs para justificar o injustificável nestas malditas festas comemorativas. Da próxima vez, venho homem: um carro pro corpo e um time de futebol para a alma. E basta!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Espanto
"Sometimes the expected simply pales in comparison to the unexpected. You got to wonder why we cling to our expectations, because the expected is just what keeps us steady. Standing. Still. The expected's just the beginning. The unexpected is what changes our lives." Grey's Anatomy -"Great Expectations"
Quando os deuses enlouquecem e deixam de permear nossas expectativas, caímos no abismo. Ausência de luz, som e pensamento. Nem aridez, nem maciez... nem dor. Nada. Ao sabor do vento, estou enfim aformatada! O corpo se amolda a qualquer forma, qualquer circunstância, num tempo qualquer.
Plácida, amorfa, solto minha alma e te encontro.
Enlaça-me, sinto que me puxa, vou para conferir.
Pouco a pouco, nanômetro por nanômetro, percorro teu corpo e teu olhar. Vou na cadência das estrofes. A cada acidente, um suspiro, uma extrassístole, uma dissonância. O caminho vai se tornando cada vez mais embriagante, atonal, e instigante. Imprevisto, o que era para ser desvendado numa noite, mostra-se uma imensidão! Cada nuance, um espanto. Um convite ao mistério sem fim:
Nada parece ter a pureza e a ternura que encontrei nos teus olhos. E nem o desejo e o prazer que repousavam sob tuas pálpebras. Muito menos o arrepio do meu corpo com o contato com o teu. Todo o universo contido entre 4 paredes: a sintonia poderosa que regia nossa sinfonia de vivências, idéias, palavras, gemidos, sussurros, imagens, abstrações indizíveis, dança de corpos, e sobretudo a doçura e a ternura que excitavam até o ultimo fio de cabelo...
Divino, mergulho em Bach
... meio tom acima.
Quando os deuses enlouquecem e deixam de permear nossas expectativas, caímos no abismo. Ausência de luz, som e pensamento. Nem aridez, nem maciez... nem dor. Nada. Ao sabor do vento, estou enfim aformatada! O corpo se amolda a qualquer forma, qualquer circunstância, num tempo qualquer.
Plácida, amorfa, solto minha alma e te encontro.
Enlaça-me, sinto que me puxa, vou para conferir.
Pouco a pouco, nanômetro por nanômetro, percorro teu corpo e teu olhar. Vou na cadência das estrofes. A cada acidente, um suspiro, uma extrassístole, uma dissonância. O caminho vai se tornando cada vez mais embriagante, atonal, e instigante. Imprevisto, o que era para ser desvendado numa noite, mostra-se uma imensidão! Cada nuance, um espanto. Um convite ao mistério sem fim:
Nada parece ter a pureza e a ternura que encontrei nos teus olhos. E nem o desejo e o prazer que repousavam sob tuas pálpebras. Muito menos o arrepio do meu corpo com o contato com o teu. Todo o universo contido entre 4 paredes: a sintonia poderosa que regia nossa sinfonia de vivências, idéias, palavras, gemidos, sussurros, imagens, abstrações indizíveis, dança de corpos, e sobretudo a doçura e a ternura que excitavam até o ultimo fio de cabelo...
Divino, mergulho em Bach
... meio tom acima.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Guidelines 2010, 2011, 2012...
1. Destemer a solidão
2. Fé, confiança...
... e pó mágico porque ninguém é de ferro
3. Olhar destemido e abrangente para varrer as possibilidades ao alcance das mãos. E aí proceder a escolha
4. Na despressurização, colocar a máscara de O2 primeiro no próprio nariz. Só assim se tem condições de cuidar dos outros.
5. Quem tem filho grande é elefante e girafa
6. Ouvir a voz do coração - FUNDAMENTAL!
7. "Transformar a perda em nossa recompensa"
8. Saber que tudo dá certo no final - essa vida é muito boa!!!!!
... e tá aumentando...
2. Fé, confiança...
... e pó mágico porque ninguém é de ferro
3. Olhar destemido e abrangente para varrer as possibilidades ao alcance das mãos. E aí proceder a escolha
4. Na despressurização, colocar a máscara de O2 primeiro no próprio nariz. Só assim se tem condições de cuidar dos outros.
5. Quem tem filho grande é elefante e girafa
6. Ouvir a voz do coração - FUNDAMENTAL!
7. "Transformar a perda em nossa recompensa"
8. Saber que tudo dá certo no final - essa vida é muito boa!!!!!
... e tá aumentando...
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