Pascal: "Les hommes sont si nécessairement fous que ce serait être fou par un autre tour de folie de n’être pas fou’. (...) Il faut faire l’histoire de cet autre tour de folie, de cet autre tour par lequel les hommes, dans le geste de raison souveraine qui enferme leur voisin, communiquent et se reconnaissent à travers le langage sans merci de la nonfolie...”
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Ginger e Fred
Gengibre e maionese
Dois bailarinos
E a Ginger se apaixonou pelo Fred
Dois meninos
Marcaram o salão , quadril a quadril
Dois arlequinos
Ginger só aconchego, Fred só diversão
Dois colombinos
Na quarta-feira descobriu-se a farsa,
de Carnaval; seguiram
Dois destinos
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Des-graça
Graciosa,
Sou doce ao paladar,
Moldo ao teu abraço
Frágil ao olhar
Pulverizo sonhos pelos poros
...mas não se aproxime
Tua virilidade me excita
Curvo-me às tuas palavras
Abro-me para tua entrada
Vigorosa, maldita, contravertida
Sombria, satânica
Não se aproxime!
Te acolho, me molho, teu molho
Enfeitiço teu mundo, vasto mundo
Anseia mas não ousas escapar
Não me bastas, te tenho
Enfadonho, te mantenho
Não ouse!
Te castro
Espana-se-me
Não se encaixa mais
Não me interessa mais
Sem graça
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
3 momentos
A gente não sabe o que vai acontecer
Quando irá sofrer
Quando começa e quando acaba
Quando a chama arde e quando se apaga
Se chove lá fora ou se brilha
a luz que dentro de mim alumia
um sorriso gostoso
um olhar calda de chocolate
um esmalte, escarlate
que me encanta te encantar
Momento 2: a espera/ "Quando ele vier"
Quando você me quiser:
que não demore
que não seja pouco
que não seja oco
que seja doce, como de coco
Quando você vier
estarei sentada, deitada ou em pé
Me toque, mas não me açode
Me alegre, mas não me adoce
Na pista ou no interior do quarto
No agito ou no regaço
do teu abraço
Fecho os olhos agora:
o teu amor, quando ele vier
Momento 3: a desilusão/ "Era sonho"
era sonho e se acabou
era sonho quando você me abraçou
me levantou e me fez voar
acordei e você não pode ficar
nestes caquinhos de catar
estilhaços a despedaçar
a desperdiçar
as entranhas da manhã
sábado, 31 de outubro de 2009
Kairós
Marilena Chaui in "Os Sentidos da Paixão"
Nossa despedida foi como teria que ser. Em movimento, passageiros e passagens para todo lugar, palavras irreconhecíveis soltas no ar, tristeza, alegria, encontros, desencontros e despedidas.
Nesta fotografia, o nosso túnel salta aos olhos,
.O som abafado,
.Vc encostado na entrada do vagão do trem que parte,
.Eu subindo na escada rolante com a mochila nas costas, jeans, uma rosa na mão e o olhar no teu. Comprovei que a imagem não se apaga com a enxurrada de lágrimas. Mas por quanto tempo sobrevive este olhar? Este cheio de ternura, nítido, denso, carregado de paixão, que surge quase sem querer?
Ainda tínhamos todo o tempo pela frente, e para ele confiamos nossa vida.
Seguimos nosso caminho sempre do melhor jeito possível. Tentávamos burlar a realidade nos momentos atemporais e ectópicos, trazendo o olhar de volta aos nossos olhos - quem sabe nos esbarrássemos?
.Voltou ao nosso canto e não me encontrou,
.Escutava uma música e não te trazia ao meu lado,
.Assistíamos ao filme em universos paralelos: aquele olhar na tela, no enredo, nos personagens, na literatura, na música... As lágrimas sempre tentam lavá-lo - ou perpetuá-lo?
O acaso enfim te traz para o meu mundo, real demais para destemer a resposta da vida construída ameaçada: "o medo que esteriliza os abraços". Não tive coragem. Não escutei meu coração. Fechei meus olhos para nada mais ver...
Continuamos seguindo em caminhos supostamente divergentes, forçados por palavras sombreadas por um afeto transviado. O silêncio fechou também seus olhos e o coração.
Mas o olhar insistia em nos instigar... Aparecia quase sem querer! Numa conversa, num revirar de olhos, num suspiro, no meio do trânsito, num escape!
E numa benfazeja oportunidade, cruzamos nossas palavras! Palavras soltas, palavras claras, palavras ariscas... um petisco! Pouco a pouco, engolem o tempo dos homens. No nosso espaço e tempo divino, soltamos as rédeas e extravasamos o afeto destemido que embebe e acolhe aquele olhar. Confissões e lembranças num crescente que aquecem meu corpo que anseia pelo teu. Deslizamos nosso desejo sob a sintonia ritmada do prazer. De início tímido, desavergonhadamente quebra as pilastras morais e alcançamos o coração!
Assim, plenos, destemidos, agarramos o tempo com as unhas! Enfim, de alma livre, seguimos com a sensação da participação no infinito.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Estereograma
da rede plana
de unidades online,
pontinhos verdes correm
de casa em casa,
ambiente em ambiente,
letra por letra,
alma por alma.
Não se reconhecem os corpos,
não se toca, nem se acaricia,
não se enxerga a ternura no olhar
nem se escuta a respiração ofegante,
a fala trêmula...
Eis que surge teu relevo,
o contorno do teu olhar míope
que refrata nos detalhes
do encanto entre minhas palavras,
espaços repletos de
cuidado,
assombro,
rendição ao
indelével afeto
Quanto mais esculpo tua forma
maior a vontade de te abraçar,
acariciar, invaginar
De minha alma brotou
E nela te recolho
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Cosmos
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O no; it is na ever-fixed mark,
That looks on tempests, and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth´s unknown, although his height be taken
Love´s not Time´s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle´s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
. If this be error and upon me prov´d,
. I never writ, nor no man ever lov´d.
Verdadeiras se afeiçoam. O amor inexiste
Quando se altera por qualquer motivo,
Ou se curva sob o ímpeto apressado:
Ah não! É um olho inabalável,
A mirar as tempestades, sem se alterar;
É a estrela-guia de todo barco à deriva,
Cujo valor se desconhece, embora alta viva sobre o mar.
O amor não serve ao Tempo, embora suas róseas faces e lábios
Curvem-se ao arco de sua longa foice;
O amor não se altera com suas breves horas e dias,
Mas sustenta-se firme até o fim das eras.
Se tudo que eu disse se provar um engano,
Jamais escrevi, nem amou qualquer humano.
E surge sua voz que me abduz! Palavras aconchegantes, calor familiar, sotaque d e l i c i o s o... Em algum lugar em constante movimento, a lua e a estrela acompanham nossa conversa desenfreada: aventuras, experiências, expectativas, incertezas, o sonho de uma vida porvir - e quem diria que era justamente aquele momento o maior dos sonhos... Sem nos dar conta, o sol emite a luz que aquece o corredor do trem. Pouco a pouco, a mágica do movimento esvaece e o destino nos alcança.
Exausta da errância, resolvo seguir seus passos. Quero me fartar de lar. Entro no seu olhar e sinto seu desejo de abocanhar o mundo. Assim me fagocita. Quer minha pele macia, minhas curvas de destino incerto, minhas entranhas que assombram e perseguem a luz. Desliza no calor úmido que escorre pelas pernas... Assim quer mais, sempre mais e penetra no fundo do meu ser. Ex-siste, in-siste, e no rítmo desta dança cada vez mais frenética, explodimos nossos sentidos que espalham quasares no caos. Neste momento repleto de imagens na penumbra, acolhemos a infinidade de estrelas que habitam nosso cosmos.
... e nada poderia ser mais verdadeiro!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Purpurina
Desculpa se não te sigo
Quero te ver florescer
... não me permito te esquecer
Te quero gigante
e quanto maior se faz teu mundo
mais me instiga
mais te desejo
Te quero livre
e quanto mais alto voa
mais me fascina
mais me alucina
Assim me abraça
Assim me laça
Capta meu Ser
... impossível te esquecer